PF indicia diretor-geral da ANM por esquema de mineração ilegal em MG

A Polícia Federal indiciou o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, e outras 50 pessoas por suspeita de envolvimento em um esquema de exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. Sousa é acusado de usar seu cargo para beneficiar empresas privadas, além de advocacia administrativa e tráfico de influência.
PF indicia diretor-geral da ANM por esquema de mineração ilegal em MG

PF indicia diretor-geral da ANM por esquema de mineração ilegal em MG A cúpula da mineração oficial no Brasil está sob cerco: o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, virou alvo central de um inquérito da Polícia Federal sobre suposto esquema de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. No centro da acusação, a transformação de projetos de recuperação ambiental em licença de fato para explorar minério.

O que a PF vê: “fachada verde”, lucro bilionário

Segundo relatos da investigação, planos de recuperação ambiental e fechamento de mina teriam sido usados como fachada para viabilizar a extração, o beneficiamento e a comercialização irregular de minério, com objetivo de lucros bilionários. A conclusão foi consolidada nas operações Rejeito e Parcours, que miram corrupção no setor de mineração e na própria ANM, com mais de 40 a 50 indiciados, entre empresários e servidores.

A PF afirma que Mauro Sousa se valeu do cargo para atender a interesses privados da Empabra Green Metals, investigada por lavra irregular, usurpação mineral e infrações ambientais. O “coração” da apuração é a Mina Granja Corumi: ali, um dever de recuperação ambiental teria sido convertido em “atividade minerária profissional, economicamente orientada”.

A versão dos acusados: cautela, silêncio e confiança

Sousa, no comando da ANM desde 2022, limita-se a dizer que só irá se manifestar após ter acesso à íntegra do relatório da PF. Outro diretor da agência, Caio Trivelatto, também indiciado, não foi localizado pela imprensa até o fechamento dos textos.

Do lado empresarial, a defesa do minerador Lucas Kallas declara “confiança na demonstração de inocência”, alegando que ele não tem relação com a empresa investigada desde 2017 e antes teria sido apenas investidor. A PF, porém, associa sua gestão (2014–2018) à exploração comercial da mina, com metas de produção, ocultação da lavra e tratativas com órgãos públicos.

Entre os operadores políticos, o ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco, Pablo César de Sousa, afirma que não comentará o mérito, mas que sempre pautou sua atuação pela ética.

O contraste é claro: enquanto a PF descreve uma engrenagem profissionalizada para driblar a lei ambiental, os indiciados pedem tempo, sigilo e presunção de inocência. O próximo movimento é do Ministério Público — e, em última instância, da Justiça.

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