Uruguai cancela voo fretado após eliminação na Copa do Mundo
Uruguai cancela voo fretado após eliminação na Copa do Mundo A eliminação precoce do Uruguai na Copa do Mundo virou crise logística e de narrativa: o voo fretado de volta sumiu do mapa e, com ele, a sensação de que a seleção ainda viajava em primeira classe no prestígio internacional.
De um lado, a versão dura e direta da imprensa uruguaia e regional: a AUF cancelou o voo fretado e mandou os jogadores voltarem em aviões comerciais, espalhados por diferentes rotas. A delegação que chegou ao Mundial em voo exclusivo, com mais de 150 pessoas e toneladas de equipamentos, agora retorna em pequenos grupos, sem o simbolismo de uma volta conjunta após a queda. O tom é de choque: a derrota por 1 a 0 para a Espanha e a campanha de dois empates e uma derrota expõem uma Celeste que termina apenas em terceiro no Grupo H, sem sequer sonhar com vaga entre os melhores terceiros colocados.
Do outro, a tentativa de controle de danos da própria Associação Uruguaia de Futebol. Depois das manchetes sobre o tal “cancelamento”, a federação divulgou nota para “desmentir, em partes” a história: admite que todos voltarão em voos comerciais, mas nega que um fretado estivesse planejado para a volta, alegando que isso só ocorreu na ida por causa do tamanho da delegação e da carga transportada. Segundo a AUF, o retorno sempre foi pensado de forma descentralizada, já que muitos atletas iriam direto para os países onde atuam, tornando o fretado de volta “ineficiente”.
No meio desse choque de versões, sobra a sensação de fim de ciclo mal gerido. Marcelo Bielsa já admite que “não deixou nada” ao futebol uruguaio, após uma trajetória que inclui 4º nas Eliminatórias, 3º na Copa América e uma Copa do Mundo para esquecer. Entre o discurso oficial e as manchetes indignadas, o fato incontornável é um só: o Uruguai volta para casa dividido – nos assentos do avião e na narrativa sobre o próprio fracasso.
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