Terremotos devastam a Venezuela, deixando mais de 1.400 mortos

Uma série de terremotos de alta magnitude atingiu a Venezuela, resultando em mais de 1.430 mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de desaparecidos. A região de La Guaira foi a mais afetada, e a comunidade internacional, incluindo o Brasil e a União Europeia, enviou ajuda humanitária para auxiliar nos esforços de resgate.
Terremotos devastam a Venezuela, deixando mais de 1.400 mortos

Terremotos devastam a Venezuela, deixando mais de 1.400 mortos Uma tragédia sísmica virou o norte da Venezuela de cabeça para baixo — e cada lado tenta enquadrar os escombros à sua maneira, entre narrativa de eficiência estatal, revolta popular e disputa ideológica.

De um lado, o governo interino de Delcy Rodríguez exibe números e cooperação internacional. Jorge Rodríguez atualiza o saldo de 1.430 mortos, mais de 3.200 feridos e milhares de desabrigados, numa catástrofe concentrada em La Guaira e Caracas. A narrativa oficial ressalta a chegada de 1.600 socorristas estrangeiros em 17 voos, hospitais de campanha e purificadores de água enviados pelo Brasil, bem como os 5 milhões de euros de ajuda emergencial e o acionamento do sistema de satélites Copernicus pela União Europeia. Em Caracas, Delcy agradece brigadas de México, Espanha e Colômbia e celebra 33 resgates com vida: “Hoje conseguimos resgatar 33 pessoas com vida e eu queria agradecer a vocês”.

Do outro lado da rua — e da política — o quadro é bem menos triunfalista. Moradores relatam ter tirado parentes “com as próprias mãos” dos escombros, diante da demora de equipes oficiais, enquanto caminhonetes abarrotadas de corpos substituem funerárias em Caracas, com hospitais onde “os mortos estavam no chão”. Delcy chega a uma área devastada e é recebida a vaias e gritos de “Fora!”, acusada de usar a tragédia como palanque. Para críticos, o terremoto apenas escancarou décadas de sucateamento: “Não é uma mera ‘crise econômica’ na Venezuela. É a destruição do país pelo socialismo chavista nas últimas décadas”, dispara o comentarista Leandro Ruschel nas redes.

Há um ponto em que todos, governo, oposição e organismos internacionais, convergem: a escala do desastre. A ONU fala em mais de 50 mil desaparecidos e até 6,76 milhões de pessoas afetadas, numa tragédia que já mata estrangeiros de Brasil, Portugal, Espanha, China e Itália. Entre os escombros, a política briga por narrativa — mas quem conta mesmo o tempo são as 72 horas cruciais para encontrar sobreviventes.

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