Hezbollah rejeita acordo de paz entre Líbano e Israel mediado pelos EUA
Hezbollah rejeita acordo de paz entre Líbano e Israel mediado pelos EUA O acordo de paz mediado pelos EUA entre Líbano e Israel mal foi assinado e já nasceu sitiado: para o governo, é chance rara de virar a página; para o Hezbollah, é ato de capitulação que precisa ser derrubado nas ruas — e, se preciso, no campo de batalha.
Governo: “primeiro passo” para recuperar soberania
Na narrativa alinhada ao governo libanês, o pacto é uma saída pragmática de décadas de guerra. Ele prevê retirada gradual de tropas israelenses do sul do Líbano, substituídas pelo Exército libanês e condicionadas ao desarmamento de grupos armados como o Hezbollah. Para o presidente Joseph Aoun, isso seria “o primeiro passo para recuperar a soberania do país sem subordinação estrangeira”, ao mesmo tempo em que responde à pressão internacional por desescalar um conflito que já desalojou mais de um milhão de libaneses.
Israel, por sua vez, comemora o acordo como vitória de segurança: Benjamin Netanyahu já avisou que a retirada total só virá quando o Hezbollah estiver completamente desarmado e que tropas continuarão no sul do Líbano até lá.
Hezbollah e aliados: pacto “nulo” e “rendição”
No campo oposto, o Hezbollah vende o acordo como traição nacional. O líder Naim Qassem classificou o texto como “rendição humilhante” e declarou o pacto “nulo e sem efeito”, acusando o governo de concessões unilaterais que “legitimam a ocupação israelense no sul libanês” por tempo indeterminado. Ele denuncia as cláusulas que condicionam a retirada israelense ao desarmamento do grupo como cruzando “todas as linhas vermelhas” e promete não abandonar o campo de batalha.
Aliados xiitas, como o movimento Amal, ecoam que o texto é “desequilibrado” e prejudica a soberania. A oposição descreve um cenário de escalada: Hezbollah e parceiros rejeitam o pacto, prometem seguir com o conflito no sul e veem o acordo como gatilho potencial de guerra civil interna e de choques maiores envolvendo EUA, Irã e Israel.
No papel, trata-se de um roteiro de pacificação. Na prática, cada lado lê o documento como arma — diplomática para uns, política e militar para outros. E, enquanto isso, os drones continuam voando.
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