Tarifa extra dos EUA vira guerra de versões entre Trump, Lula e a oposição

O governo dos EUA anunciou uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o país falha em coibir a importação de itens produzidos com trabalho forçado. A medida, que se soma a sobretaxas anteriores, pode elevar a tributação total para 37,5% em alguns setores e aprofunda as tensões comerciais entre os dois países.
Tarifa extra dos EUA vira guerra de versões entre Trump, Lula e a oposição

Tarifa extra dos EUA vira guerra de versões entre Trump, Lula e a oposição
A nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não abriu apenas mais uma frente comercial: escancarou uma disputa política em três níveis. Em Washington, a medida é vendida como cruzada moral; em Brasília, como protecionismo travestido de direitos humanos; na oposição, como mais um custo da deterioração diplomática.

De um lado, o governo Trump sustenta que a ofensiva “começará a corrigir o que é tanto uma violação dos direitos humanos quanto uma prática comercial distorcida”. O argumento americano é que o Brasil falha em barrar a entrada de bens produzidos com trabalho forçado em outros países, o que criaria concorrência desleal para empresas dos EUA. A nova cobrança atinge o Brasil e outros 53 países com alíquota de 12,5%, enquanto Canadá, União Europeia e México ficaram em faixa menor, de 10%.

Do outro, o Planalto rebate em tom duro. Segundo o governo brasileiro, o USTR “optou por manipular tema caro aos direitos humanos” para sustentar uma política comercial protecionista. Ministros também admitem o tamanho do estrago: “muitos setores estarão sujeitos à dupla taxação de 37,5%”, como calçados, máquinas, confecções e químicos. Pelos cálculos da Amcham Brasil, cerca de 3 mil produtos podem ser afetados, somando US$ 12,5 bilhões em exportações anuais, com 85,3% dessas vendas expostas ao efeito cumulativo da tarifa anterior de 25%.

No meio, o setor produtivo cobra sangue-frio e negociação. A Amcham alerta que a nova tarifa “amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras” e defende retomada urgente das conversas bilaterais. Há exceções relevantes — café, madeira, petróleo, gás e fertilizantes ficaram fora em parte —, mas o recado geral é de aperto.

Politicamente, a oposição tenta colar a conta no Planalto. Em postagem nas redes, Eduardo Bolsonaro repercutiu: “Depois de muita provocação e esforço do governo brasileiro, hoje começou a valer um novo tarifaço contra o Brasil”. Já Rodrigo Constantino resumiu a nova escalada com um seco “Eita!”.

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