Oposição diz que PSDB abdica de São Paulo para engrossar palanque de Tarcísio
Oposição diz que PSDB abdica de São Paulo para engrossar palanque de Tarcísio
O apoio do PSDB-Cidadania à reeleição de Tarcísio de Freitas redesenha o tabuleiro paulista e encerra um ciclo histórico do tucanato. Pela primeira vez desde 1988, o partido abre mão de uma candidatura própria ao governo de São Paulo.
No discurso dos dirigentes da federação, a decisão é tratada como pragmatismo político; na leitura crítica da oposição, soa mais como capitulação. A federação anunciou que estará com Tarcísio em 2026 e deixará a formalização para a convenção estadual do fim do mês, movimento que consolida a guinada de um partido que por décadas dominou a política paulista.
A comparação com o passado é inevitável. De um lado, o PSDB que já fez do Palácio dos Bandeirantes sua fortaleza; de outro, um PSDB agora integrado à base de um governador do Republicanos. Segundo a própria federação, a escolha foi feita “no exercício de plena autonomia partidária”, enquanto aliados destacam que o grupo também tentará preservar algum protagonismo com uma candidatura ao Senado, tendo Soninha Francine entre os nomes ventilados.
Mas o gesto tem peso maior do que a simples aritmética eleitoral. Alex Manente, presidente da federação em São Paulo, resumiu a nova linha sem rodeios: “Para o governo do estado, nós estaremos com o governador Tarcísio. Isso já é uma definição. […] A federação deve oficializar na nossa convenção esse apoio.” A frase expõe a troca central: menos identidade própria, mais alinhamento com uma coalizão já inchada.
Na prática, Tarcísio amplia sua frente, enquanto o PSDB admite sua dificuldade de sustentar voo solo após o recuo de Paulo Serra e as barreiras para costurar alianças competitivas. É uma convergência útil para o governador, mas simbólica — e desconfortável — para um partido que, em São Paulo, já não dita mais o jogo; agora, adere a ele.
https://resumosbrasil.com/stories/019f937d-8486-0897-72e9-048662e1b461
Write a comment