Tarifaço de Trump encurrala Brasília entre retaliação e desgaste econômico
Tarifaço de Trump encurrala Brasília entre retaliação e desgaste econômico
Os Estados Unidos apertaram o cerco sobre o Brasil com uma nova tarifa de 12,5%, empilhada sobre a sobretaxa anterior de 25% para parte dos produtos. O resultado é brutal: em vários setores, a conta pode chegar a 37,5% — e o governo Lula agora tenta reagir sem transformar o conflito comercial em guerra aberta.
A versão de Washington é a de sempre em momentos de pressão: combate ao trabalho forçado e defesa da indústria americana. A medida foi aplicada a 60 economias e alcança 99,4% das importações dos EUA, segundo o USTR. Na prática, porém, a leitura em Brasília e em boa parte do mercado é menos moral e mais política. O governo brasileiro chamou a decisão de “completamente arbitrária e injustificada” e acusou os EUA de usar direitos humanos como biombo para protecionismo.
Há, no entanto, uma diferença importante entre o discurso oficial e o estrago real. De um lado, ministros insistem que o Brasil tem histórico sólido no combate ao trabalho forçado e lembram que cerca de 2 mil produtos ficaram fora das duas tarifas, incluindo carne, café, suco de laranja e frutas. De outro, admitem o tombo: “muitos setores estarão sujeitos à dupla taxação, de 37,5%, como é o caso de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções, químicos”.
A oposição explora justamente esse flanco. O argumento bolsonarista é que o Planalto ajudou a cavar a crise e agora corre atrás do prejuízo. Flávio Bolsonaro resumiu a tese com a frase: “Infelizmente, Lula cavou esse pênalti”. Já o governo sustenta que negociou de boa-fé e que os americanos apenas quiseram “cumprir tabela”, sem interesse real em considerar as explicações brasileiras.
No fim, os dois campos concordam em uma coisa: o dano está contratado. Divergem só sobre o culpado — e sobre quem vai pagar a conta política antes da econômica.
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