Moraes alivia Canella, mas inquérito bilionário continua no radar

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, revogou as medidas cautelares contra o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella, incluindo a retirada da tornozeleira eletrônica. A decisão foi tomada após a Polícia Militar do Rio confirmar que o fuzil encontrado no carro de Canella pertencia a um policial de sua escolta.
Moraes alivia Canella, mas inquérito bilionário continua no radar

Moraes alivia Canella, mas inquérito bilionário continua no radar
A retirada da tornozeleira de Márcio Canella muda o tom do caso, mas não encerra a história. O gesto de Alexandre de Moraes alivia o ex-prefeito no front penal imediato, enquanto a investigação sobre um suposto esquema bilionário segue de pé.

De um lado, a leitura dominante é a de que a decisão desmonta o episódio que levou Canella à prisão em flagrante: o fuzil achado em seu carro não seria dele, mas de um policial da escolta, com registro e acautelamento confirmados pela PM do Rio. Nessa linha, Moraes concluiu que não havia base para sustentar o crime de porte ilegal de arma e mandou derrubar as cautelares, da tornozeleira ao recolhimento noturno.

A imprensa mais alinhada ao governo enfatizou justamente esse ponto: os esclarecimentos das defesas ganharam respaldo documental, e o que restaria, em relação ao armamento, seriam no máximo falhas administrativas internas da corporação. Já a cobertura de oposição, embora chegue a conclusão semelhante sobre a arma, empacota o caso como mais uma reversão rápida de medidas pesadas impostas pelo próprio STF.

Mas há um contraste importante que nenhuma das versões elimina. A revogação das cautelares não significa absolvição política nem enterro da Operação Unha e Carne. Canella continua investigado pela PF sob suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis estimado em R$ 7,6 bilhões, no qual seria apontado como “braço político”. Mesmo os relatos mais favoráveis ao ex-prefeito admitem que o inquérito principal permanece aberto e que a PGR ainda terá de se manifestar sobre os próximos passos.

No fim, os dois campos divergem no enquadramento, não no fato central: a arma deixou de sustentar a restrição penal imediata. O que segue em disputa é o peso político de Canella e o alcance criminal de uma investigação que está longe de acabar.

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