Tarifaço de Trump une o diagnóstico do estrago, mas racha Brasília sobre como reagir
Tarifaço de Trump une o diagnóstico do estrago, mas racha Brasília sobre como reagir
A nova pancada comercial de Washington acertou em cheio o Brasil — e expôs duas disputas ao mesmo tempo: uma com os EUA, outra dentro da própria narrativa política brasileira. O tamanho do dano é relativamente consensual; o sentido dele, nem de longe.
Do lado do governo e de setores próximos ao Planalto, a leitura é de arbitrariedade americana com impacto concreto na economia real. A nova sobretaxa de 12,5%, somada aos 25% já anunciados, pode levar a tarifa total a 37,5% para milhares de produtos brasileiros, atingindo algo perto de US$ 10,8 bilhões a US$ 12,4 bilhões em exportações. A CNI contestou frontalmente a justificativa de trabalho forçado, dizendo que os argumentos do USTR “não encontram respaldo na realidade brasileira” e que o país tem “um dos arcabouços legais mais modernos e abrangentes” sobre o tema. Geraldo Alckmin foi ainda mais direto: chamou o argumento de “descabido” e disse que “não faz sentido”.
Mas há uma diferença importante dentro desse mesmo campo: enquanto o Planalto fala em OMC e até na Lei da Reciprocidade, a indústria prefere sangue-frio. Entidades empresariais pedem “negociação e rapidez” e descartam, por ora, responder “na mesma moeda”, com medo de ampliar perdas de competitividade, contratos e empregos.
Na oposição, o foco muda. O problema não é negado — ao contrário, os números do impacto são aceitos, inclusive a estimativa oficial de que 23,1% das exportações aos EUA serão alcançadas pelas novas sobretaxas. O ponto de ataque é outro: a eficácia da reação brasileira. A aposta do governo na OMC é tratada como politicamente vistosa, mas praticamente fraca, já que o Órgão de Apelação está paralisado desde 2019 por bloqueio dos próprios EUA. Em resumo, há acordo sobre o prejuízo e desacordo total sobre a saída. Um tuíte do comentarista Rodrigo Constantino resumiu o tom da direita com um seco “Eita!”.
https://resumosbrasil.com/stories/019f975a-22d5-2c7c-7321-39ac90f4517e
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