PL lança chapa no Rio, mas o peso político recai sobre o sobrenome Ramagem
PL lança chapa no Rio, mas o peso político recai sobre o sobrenome Ramagem
O PL tentou vender, no Rio, uma imagem de força organizada para 2026. Mas a convenção que oficializou Douglas Ruas ao governo e Carlos Portinho ao Senado acabou dividindo os holofotes com uma candidatura muito mais carregada de simbolismo político: a de Rebeca Ramagem.
De um lado, a direção do partido aposta numa vitrine de musculatura eleitoral. Ruas apresentou a pré-campanha como fruto de articulação no interior e disse que o plano foi construído “ouvindo as pessoas” em todas as regiões do estado. A leitura favorável ao evento é a de um PL que sai cedo da toca, fecha nomes centrais e deixa vice e segunda vaga ao Senado para negociações adiante.
Do outro, a candidatura de Rebeca embaralha o discurso administrativo com um enredo de confronto político. Segundo um relato, ela decidiu entrar na disputa para ocupar o espaço deixado pelo marido, Alexandre Ramagem, dizendo: “Se meu marido não pode retornar agora, eu vou”. Já a versão alinhada a seus apoiadores troca a ideia de fuga por perseguição e asilo, e enquadra sua candidatura como reação a “abusos, perseguições e esses benefícios a criminosos”.
A diferença entre as narrativas é brutal. Numa, Rebeca surge ligada a um ex-deputado condenado e fora do país; noutra, aparece como porta-voz de uma causa política e moral. Ainda assim, ambas convergem num ponto: sua entrada na corrida foi chancelada pelo bolsonarismo e transforma a eleição fluminense numa extensão da guerra nacional dentro da direita.
Também pesa no pacote o nome de Breno Faria, influenciador do perfil Café com Teu Pai, cuja pré-candidatura à Câmara foi oficializada em meio a menções a denúncias por falas misóginas. Em resumo, o PL montou uma chapa para disputar poder; o que acabou exibindo, sobretudo, foi seu modelo de combate.
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