Pró-governo diz que apoio do PSOL-Rede turbina Haddad, mas convenção expõe ruídos na frente ampla

A federação PSOL-Rede oficializou, em convenção estadual, o apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. O evento também confirmou candidaturas para deputados, indicou apoio a Marina Silva e Simone Tebet para o Senado, e definiu Djalma Nery (PSOL) como suplente de Marina.
Pró-governo diz que apoio do PSOL-Rede turbina Haddad, mas convenção expõe ruídos na frente ampla

Pró-governo diz que apoio do PSOL-Rede turbina Haddad, mas convenção expõe ruídos na frente ampla
A federação PSOL-Rede saiu de sua convenção em São Paulo com uma imagem dupla: de um lado, a tentativa de consolidar Fernando Haddad como polo da esquerda para 2026; de outro, os atritos típicos de uma aliança ampla demais para caber sem ranger.

Na vitrine, o recado foi de unidade. A federação oficializou o apoio a Haddad ao governo paulista e fechou uma chapa robusta para a disputa legislativa, com 47 candidatos a deputado federal e 66 a deputado estadual. O pacote inclui ainda apoio a Marina Silva e Simone Tebet para o Senado, numa costura que busca somar PT, PSOL, Rede e PSB contra o campo hoje liderado por Tarcísio de Freitas.

Mas o bastidor contou outra história. A escolha de Djalma Nery, vereador do PSOL em São Carlos, para a primeira suplência de Marina foi tratada como peça estratégica por aliados — tanto pelo perfil ambientalista quanto pela chance real de Marina voltar a um ministério num eventual novo governo Lula. Ainda assim, a definição virou foco de tensão entre PSOL, Rede e PDT, atrasou a votação da convenção e expôs que a chamada frente ampla segue longe de ser um condomínio pacificado.

A ausência de nomes de peso do PSOL paulista, como Guilherme Boulos e Erika Hilton, também roubou parte do brilho do evento e reforçou a impressão de que a fotografia de unidade ainda precisa de retoques. Em outras palavras: o campo progressista avançou na formalização da aliança, mas não enterrou as disputas por espaço.

O contraste é esse. Publicamente, a federação vende coesão e musculatura eleitoral; internamente, ainda administra vaidades, cálculos de poder e pressões de aliados. Para Haddad, o apoio é um ganho político claro. Para a frente que o cerca, a convenção mostrou que subir ao mesmo palanque é mais fácil do que harmonizar interesses nos bastidores.

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