Keiko estreia no poder prometendo ordem, mas assume um Peru ainda rachado

Keiko Fujimori tomou posse como a primeira mulher presidente do Peru, prometendo restaurar a estabilidade e endurecer o combate à criminalidade, inclusive com o uso temporário das Forças Armadas. Seu mandato de cinco anos começa em meio a um cenário político dividido, mas com uma base de apoio no Congresso.
Keiko estreia no poder prometendo ordem, mas assume um Peru ainda rachado

Keiko estreia no poder prometendo ordem, mas assume um Peru ainda rachado
Keiko Fujimori chegou ao Palácio do Governo com uma promessa simples de vender e difícil de cumprir: restaurar a ordem num Peru exausto de crise política. O problema é que o discurso de firmeza que embala sua posse também escancara o tamanho da divisão que ela herda.

De um lado, a nova presidente tenta se apresentar como antídoto para o caos. Aliados e veículos mais simpáticos ao novo governo destacam a combinação de mão dura na segurança, promessa de estabilidade institucional e um recado calculado para afastar o fantasma do pai: seu mandato, disse ela, será de cinco anos, “nenhum dia a mais”. A aposta central é endurecer o combate ao crime, com protagonismo temporário das Forças Armadas em estados de emergência e maior uso de tecnologia para monitoramento e inteligência.

Do outro, mesmo a cobertura menos favorável reconhece que Keiko assume com capital político relevante no Congresso — justamente o que faltou a antecessores derrubados pela turbulência crônica de Lima. A leitura, porém, muda no tom: para uns, isso pode finalmente dar governabilidade; para outros, representa o retorno pleno do fujimorismo, 26 anos após a queda de Alberto Fujimori, com todo o peso simbólico que esse sobrenome carrega.

Há convergência num ponto: segurança será o eixo do novo governo. Keiko prometeu “recuperar cada bairro, cada estrada, cada espaço público para as famílias peruanas” e afirmou que “as Forças Armadas assumirão temporariamente a liderança das operações de segurança e controle interno” durante estados de emergência. Também falou em “trabalhar pelo bem estar de todos os peruanos, sem exceção”, enquanto outra frente de cobertura destacou o objetivo de construir “um país seguro, próspero e unido”.

A diferença real está na moldura. Para os apoiadores, trata-se de uma estreia histórica da primeira mulher eleita presidente do Peru, com chance rara de concluir o mandato. Para os críticos, é o retorno de um projeto político conhecido, agora embalado pela promessa de ordem num país que já trocou presidentes demais e continua longe de um consenso.

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