Keiko estreia no poder entre promessa de ordem e fantasma do fujimorismo
Keiko estreia no poder entre promessa de ordem e fantasma do fujimorismo
Keiko Fujimori chegou ao poder vendendo ordem num país exausto de crise. Mas a posse que a consagra como primeira mulher presidente do Peru também reabre a velha divisão nacional em torno do sobrenome mais polarizador da política peruana.
De um lado, aliados e veículos simpáticos ao novo governo descrevem a cerimônia como o início de uma tentativa de pacificação institucional, com promessa de “devolver estabilidade ao Peru” e endurecer o combate ao crime. Keiko anunciou que as Forças Armadas vão liderar temporariamente operações de segurança em estados de emergência, ao lado da polícia, e acenou com tecnologia, videomonitoramento e inteligência artificial para enfrentar a criminalidade. Também prometeu medidas contra o El Niño e falou em mandato limitado: “cinco anos. Nenhum dia a mais”, numa tentativa clara de se descolar da memória autoritária de Alberto Fujimori.
Do outro, a leitura crítica é menos generosa. Mesmo relatos favoráveis à posse registram que Keiko assume “um país dividido”, onde parte da população enxerga estabilidade econômica e outra vê “o retorno de um projeto político ligado a violações de direitos humanos ainda não superadas”. Do lado de fora do Congresso, houve protestos de familiares de vítimas da repressão do fujimorismo, enquanto dentro do plenário setores da oposição se retiraram da cerimônia.
Há, porém, um ponto de convergência entre quase todos os relatos: segurança será o eixo do novo governo. A divergência está no enquadramento. Para os apoiadores, trata-se de resposta firme a um Estado acuado pelo crime. Para os críticos, o risco é reeditar a política de mão dura sob um legado ainda mal resolvido.
A reação nas redes da direita regional deixou esse contraste ainda mais explícito. Eduardo Bolsonaro celebrou: “🇵🇪 God bless @KeikoFujimori and Peru!”. No post citado por ele, a posse foi tratada como “Another defeat for communism in South America” — um enquadramento ideológico que entusiasma aliados, mas ajuda a explicar por que a nova presidente já começa governando sob aplausos e suspeitas.
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