Reality de empregados vira multa milionária moral para Viih Tube e Eliezer

Os influenciadores Viih Tube e Eliezer firmaram um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, comprometendo-se a encerrar o reality show "As Patroas", que envolvia seus empregados domésticos. O casal pagará R$ 350 mil por dano moral coletivo e deverá remover o conteúdo do ar.
Reality de empregados vira multa milionária moral para Viih Tube e Eliezer

Reality de empregados vira multa milionária moral para Viih Tube e Eliezer
Viih Tube e Eliezer tentaram transformar a rotina da própria casa em entretenimento. O resultado foi o oposto: o reality saiu do ar, virou caso trabalhista e terminou em um acordo caro com o Ministério Público do Trabalho.

No centro da controvérsia está “As Patroas”, programa com 11 empregados domésticos do casal disputando provas, prêmios em dinheiro, folgas e redução de jornada. Para o MPT, o problema não foi só a exposição comercial da intimidade do trabalho doméstico, mas o rebaixamento dessa relação a espetáculo. O casal aceitou pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo, retirar o conteúdo das redes e publicar três vídeos sobre direitos dos trabalhadores.

Os relatos sobre a dinâmica ajudam a explicar a reação. Uma das provas colocava funcionários para procurar moedas de plástico em vasos sanitários e lixeiras, imagem que concentrou as críticas e acelerou a investigação. Também pesou a regra segundo a qual quem faltasse às gravações poderia ser eliminado, num ambiente em que a fronteira entre participação “espontânea” e pressão patronal é tudo menos simples.

De um lado, o MPT enquadrou o caso como violação de direitos e impôs trava ampla: os influenciadores não poderão mais produzir conteúdo que submeta trabalhadores a situações “humilhantes ou vexatórias”, mesmo com consentimento. De outro, a defesa pública inicial do projeto tentava vendê-lo como crítica social. Segundo relatos da época, Viih Tube afirmou que a ideia era “chamar a atenção” e discutir condições de trabalho e o fim da escala 6x1.

A comparação entre as versões deixa pouco espaço para ambiguidade. O casal tratou o formato como conteúdo; o Ministério Público tratou como assimetria de poder travestida de diversão. No fim, prevaleceu a leitura institucional: quando o patrão produz o jogo e o empregado vira elenco, consentimento sozinho não basta.

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