UEFA compra briga com Infantino e transforma plano bilionário da FIFA em crise de sobrevivência

A proposta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de vender parte dos direitos comerciais das Copas do Mundo a investidores privados gerou uma crise institucional. A UEFA votou por boicotar os torneios da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, caso o plano avance. Outras confederações, como a Concacaf, também manifestaram oposição, e um assessor de Infantino renunciou em protesto.
UEFA compra briga com Infantino e transforma plano bilionário da FIFA em crise de sobrevivência

UEFA compra briga com Infantino e transforma plano bilionário da FIFA em crise de sobrevivência
A FIFA tentou vender seu plano como modernização comercial. A UEFA enxergou outra coisa: uma ameaça direta ao controle político e simbólico do futebol mundial.

É daí que nasce a crise. De um lado, Gianni Infantino diz que a FIFA Forward Enterprise não é privatização, mas uma engrenagem para turbinar receitas e redistribuir dinheiro às 211 federações. Do outro, europeus e aliados tratam a proposta como a abertura da porta para investidores privados entrarem no coração da Copa do Mundo.

A defesa da FIFA é frontal. A entidade insiste que “ninguém está vendendo o futebol” e sustenta que manterá “responsabilidade total e soberana” sobre regulamentos, calendário e governança, enquanto promete US$ 20 milhões a cada federação entre 2027 e 2030. Também acusa a cobertura do caso de ter contaminado o debate com “desinformação” e afirma que cada associação deve decidir “com base em fatos”.

Mas a reação contrária foi mais rápida — e politicamente mais pesada. A UEFA aprovou boicote e avisou que “nenhuma seleção nacional vinculada à Uefa participará de qualquer competição da Fifa” se o plano seguir adiante sem ser enterrado de vez. A Concacaf também rejeitou a ideia, enquanto a AFC criticou a falta de consulta prévia pelos “canais de governança apropriados”. Na prática, isso transforma a votação marcada até 19 de setembro num teste de força, não apenas de gestão.

O contraste central é brutal: para Infantino, trata-se de profissionalizar ativos sem perder o comando; para os opositores, é justamente o comando que começa a escorrer pelos dedos. Esse temor ganhou peso extra com a renúncia de Carlos Cordeiro, assessor próximo do presidente da FIFA, que chamou a proposta de “um mau negócio para o futebol” e disse que ela “deve ser rejeitada”.

Como pano de fundo, há ainda a suspeita política em torno da família Kushner e da comercialização dos direitos da nova estrutura, o que ampliou a sensação de que a crise já saiu do gramado e entrou de vez na arena do poder.

https://resumosbrasil.com/stories/019fb853-7d6c-2e63-721e-3a3649dfd38f

Write a comment