Troca de marqueteiros expõe a briga entre controle de danos e crise real na campanha de Flávio Bolsonaro

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência anunciou sua segunda troca no comando da comunicação em dois meses, com a saída de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. O publicitário Duda Lima, que trabalhou na campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, foi nomeado para liderar a área. A mudança ocorre dias após a polêmica sobre o uso de um vídeo de IA na convenção do PL.
Troca de marqueteiros expõe a briga entre controle de danos e crise real na campanha de Flávio Bolsonaro

Troca de marqueteiros expõe a briga entre controle de danos e crise real na campanha de Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio Bolsonaro voltou a mexer na própria engrenagem antes mesmo de ganhar tração. Em menos de dois meses, a comunicação foi trocada pela segunda vez — e a chegada de Duda Lima deixa claro que o PL enxerga um problema sério, ainda que discorde sobre sua origem.

De um lado, aliados e veículos mais próximos ao campo bolsonarista tratam a mudança como ajuste estratégico: sai uma dupla desgastada, entra um nome tarimbado, com histórico na campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e trânsito com a cúpula do partido. A nota oficial tenta preservar os demitidos, dizendo que suas contribuições foram “importantíssimas e valiosas nessa etapa”. Nesse enquadramento, a troca seria menos uma implosão e mais uma correção de rota para devolver disciplina à narrativa da campanha.

Do outro lado, críticos enxergam exatamente o oposto: não uma simples troca técnica, mas um sintoma clássico de campanha em pane. A oposição e parte da cobertura ligam a demissão ao acúmulo de crises recentes — do caso envolvendo Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse à briga pública com Michelle Bolsonaro e, mais recentemente, à confusão provocada pelo vídeo com inteligência artificial exibido na convenção do PL.

Essa é a linha empurrada com mais agressividade por adversários. Para Lindbergh Farias, “o problema não é o marketing, é o candidato”. Já entre bolsonaristas, o discurso é menos acusatório, mas não exatamente sereno: Paulo Figueiredo admitiu que “mudanças de rumo são mais do que necessárias” e desejou sucesso ao novo marqueteiro.

No fim, os dois lados concordam em um ponto incômodo para Flávio: a campanha perdeu estabilidade. Divergem, porém, no diagnóstico central. Para os aliados, Duda Lima chega para reorganizar a casa. Para os críticos, ele entra apenas para administrar uma crise que já ultrapassou o marketing.

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