Absolvição de PMs em Paraisópolis põe júri em rota de colisão com provas e família

Dois policiais militares, Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, foram absolvidos pelo júri popular da acusação de matar Igor Oliveira de Moraes Santos durante uma operação em Paraisópolis (SP). A decisão, que resultará na soltura dos réus, foi contestada pela família e pela Promotoria, que afirmam que o veredito contraria as provas dos autos, incluindo imagens de câmeras corporais.
Absolvição de PMs em Paraisópolis põe júri em rota de colisão com provas e família

Absolvição de PMs em Paraisópolis põe júri em rota de colisão com provas e família
A absolvição de dois PMs pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, em Paraisópolis, reabriu uma ferida conhecida no debate sobre violência policial: quando o júri livra réus mesmo diante de imagens contundentes, a disputa sai do plenário e volta para a rua. De um lado, a decisão soberana dos jurados; de outro, a acusação de que o veredito desafia o próprio conjunto de provas.

Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima foram absolvidos após três dias de julgamento pela morte de Igor, de 24 anos, baleado durante uma operação da PM em julho de 2025, na zona sul de São Paulo. A sentença expôs a contradição central do caso: os jurados reconheceram a materialidade do crime e a autoria dos disparos, mas ainda assim acolheram o quesito absolutório, o que abriu caminho para a soltura dos dois policiais.

É justamente aí que as leituras se separam. A linha da defesa dos PMs, segundo o relato do julgamento, apostou na falta de prova segura, no laudo balístico inconclusivo e nas teses de legítima defesa — real ou putativa — além da possibilidade de absolvição por clemência. Já a família de Igor e a Promotoria sustentam o inverso: que a decisão atropela o que foi produzido no processo, especialmente porque as câmeras corporais registraram o jovem rendido, com as mãos na cabeça, antes dos tiros.

Em nota, os advogados da família afirmaram que a decisão é “manifestamente contrária às provas produzidas nos autos” e disseram confiar que o tribunal determinará um novo júri. O caso, portanto, não terminou com o veredito. Terminou apenas a primeira batalha — e ela deixa uma pergunta política e judicial incômoda: quanto pesa uma imagem quando o júri decide absolver mesmo assim?

https://resumosbrasil.com/stories/019fb853-7df3-2e3d-71cc-19c59fe6eae3

Write a comment