Plano bilionário de Infantino racha a FIFA e transforma a Copa em campo de batalha

A FIFA enfrenta uma crise após propor a criação de uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), para gerir torneios e atrair investidores privados. A iniciativa foi fortemente rejeitada pela UEFA, Concacaf e AFC. Em protesto, Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente Gianni Infantino, renunciou ao cargo, classificando o plano como um "mau negócio para o futebol".
Plano bilionário de Infantino racha a FIFA e transforma a Copa em campo de batalha

Plano bilionário de Infantino racha a FIFA e transforma a Copa em campo de batalha
A Fifa tentou vender sua nova proposta como modernização comercial. O resto do futebol viu outra coisa: um teste explosivo sobre quem manda na Copa do Mundo — e até onde vai o poder de Gianni Infantino.

No centro da crise está a FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões que concentraria direitos comerciais e operações de eventos, com possibilidade de vender até 20% a investidores privados. A Fifa insiste que o controle esportivo seguiria intacto e que a conta fecharia em favor das 211 federações filiadas, com repasses maiores entre 2027 e 2030. Em sua defesa mais direta, a entidade afirmou que “ninguém está vendendo o futebol” e enquadrou o debate como um processo “aberto e democrático” contaminado por “desinformação” da mídia.

Mas a resistência não veio da periferia do jogo — veio do coração político do futebol. Uefa, Concacaf e AFC rejeitaram a proposta por motivos parecidos, embora em tons diferentes: para os europeus, a Copa “não pode ser tratada como um produto de investimento”; para os asiáticos, a FFE “não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”, além de expor falhas de governança. A crítica comum é clara: menos objeção ao capital em si, mais revolta com o processo, a pressa e o risco de fatiar o principal ativo simbólico do esporte.

A ruptura ficou mais séria quando explodiu dentro da própria Fifa. Carlos Cordeiro, conselheiro sênior de Infantino, renunciou dizendo que não poderia “ficar de braços cruzados” diante da venda de participação na Copa e classificou o plano como “um mau negócio para o futebol”. Outro dirigente, Kevin Lamour, foi além ao chamar a iniciativa de “projeto de uma pessoa”.

O contraste, agora, é brutal: para a Fifa, a FFE é uma máquina de receitas; para os críticos, é a mercantilização definitiva do torneio mais poderoso do planeta. E o que começou como engenharia financeira já virou crise de liderança.

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