Infantino dobra a aposta, mas venda da FIFA vira rebelião interna e externa
Infantino dobra a aposta, mas venda da FIFA vira rebelião interna e externa
Gianni Infantino tenta vender a ideia de modernização financeira da FIFA, mas o plano já produziu o efeito contrário: uniu cartolas, executivos e confederações em uma rara frente de desconfiança. O projeto para repassar 20% de uma nova empresa comercial a investidores privados deixou de ser debate de negócios e virou crise de poder.
De um lado, a FIFA insiste que não está rifando seu principal patrimônio. A entidade afirma que a FIFA Forward Enterprise seguiria sob controle da própria federação e que a operação serviria para ampliar receitas e beneficiar as 211 associações-membro. Em sua defesa mais direta, sustentou que “ninguém está vendendo o futebol” e criticou a tentativa de uma confederação falar por todas as demais.
Do outro, a resistência cresce justamente porque o discurso oficial não convenceu. Carlos Cordeiro, conselheiro próximo de Infantino, pediu demissão e chamou a proposta de “um mau negócio para o futebol”, argumentando que a FIFA já tem caixa robusto e não precisa “hipotecar o futuro do futebol” para levantar US$ 4,2 bilhões. O ataque ficou ainda mais pesado quando Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, disse que funcionários foram “enganados” e descreveu a iniciativa como “projeto de uma pessoa”.
Entre as confederações, a divisão é menos sobre o diagnóstico e mais sobre o tom. UEFA, Concacaf e AFC se colocaram frontalmente contra, alegando falta de transparência, governança falha e risco à unidade da Copa do Mundo. A ameaça europeia de boicote elevou o custo político da aposta de Infantino, e até a candidatura de Espanha e Portugal para 2030 entrou no radar da crise.
Já a Conmebol preferiu a cautela. Nem aderiu ao confronto aberto, nem deu aval ao presidente da FIFA: pediu mais informações e repetiu que “o futebol vem sempre em primeiro lugar”. No meio desse choque, a leitura mais honesta talvez seja a mais incômoda: não há inocentes numa disputa em que dinheiro, governança e controle do calendário mundial estão sendo negociados ao mesmo tempo.
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