Lula ataca criminalistas, e OAB-SP reage ao que vê como golpe no Estado de Direito

A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) emitiu uma nota de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que advogados criminalistas "defendem bandido" e não sabem defender inocentes. A entidade classificou a fala como um "preconceito inaceitável" que enfraquece o Estado Democrático de Direito.
Lula ataca criminalistas, e OAB-SP reage ao que vê como golpe no Estado de Direito

Lula ataca criminalistas, e OAB-SP reage ao que vê como golpe no Estado de Direito
A fala de Lula sobre advogados criminalistas abriu mais uma frente de atrito político e institucional. O que para o presidente surgiu como relato pessoal de sua defesa na Lava Jato virou, para a OAB-SP, um ataque direto a uma das bases do sistema de Justiça.

O contraste entre as leituras é nítido. De um lado, Lula enquadrou sua escolha de defesa em 2018 como prova de convicção na própria inocência e disse que preferiu não contratar um especialista em direito criminal. De outro, a OAB-SP respondeu que o alvo da declaração não foi apenas uma categoria profissional, mas a própria lógica do devido processo legal.

Na versão exposta pelo presidente no podcast Inteligência Ltda., a decisão de ter Cristiano Zanin à frente do caso fazia parte de uma estratégia política e jurídica: resistir, não fazer acordo e sustentar a tese de inocência até o fim. Nesse raciocínio, Lula afirmou que “criminalista não sabe defender inocente” e que “criminalista defende bandido”, transformando uma experiência pessoal em generalização pública.

Foi justamente esse salto que detonou a reação da OAB-SP. Tanto na cobertura mais alinhada ao governo quanto na mais crítica, a entidade aparece com a mesma linha: a declaração seria um “preconceito inaceitável” e ajudaria a espalhar desinformação sobre o papel da advocacia criminal. A ordem insistiu no ponto central: criminalistas não defendem o crime, mas “a Constituição, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório”.

A diferença entre as abordagens está mais no enquadramento do que nos fatos. Um lado destaca a reação institucional à fala presidencial; o outro sublinha o desgaste político de Lula ao comprar briga com uma categoria sensível no coração do sistema judicial. No fim, ambos convergem no essencial: a frase do presidente extrapolou o caso pessoal e acertou em cheio um debate que vai além da política partidária.

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