SP alivia corte noturno de água, mas Cantareira ainda opera no fio da navalha
SP alivia corte noturno de água, mas Cantareira ainda opera no fio da navalha
São Paulo decidiu afrouxar o aperto no abastecimento de água: a baixa pressão noturna vai cair de 10 para 8 horas por dia na região metropolitana. O gesto soa como alívio imediato para o consumidor, mas vem embalado por um paradoxo incômodo — o Sistema Cantareira melhorou, sem deixar de continuar perigosamente baixo.
De um lado, o governo estadual vende a mudança como resultado de uma combinação de chuva acima do previsto e gestão hídrica mais eficiente. A nova janela de redução da pressão passa a valer das 22h às 6h, depois de o Cantareira migrar da faixa 3 para a faixa 2 na curva estadual de contingência. A leitura oficial é de melhora concreta: o nível do sistema ficou acima do projetado, o que abriu espaço para aliviar a chamada Gestão de Demanda Noturna.
Do outro, os próprios dados usados para justificar a medida impedem qualquer triunfalismo. O Cantareira opera com 36,7% da capacidade — o segundo pior nível para este período em dez anos —, sinal de que a folga é limitada e o risco estrutural segue no radar. Em outras palavras: houve melhora marginal, não virada de jogo.
As duas leituras convivem sem se anular. É verdade que a semana de 20 a 26 de julho registrou 31,6 mm de chuva, 177% acima do previsto, e que isso ajudou a empurrar o sistema para uma faixa menos restritiva. Mas também é verdade que a operação definida por ANA e SP Águas não mudou: nesse modelo, o Cantareira segue em faixa de alerta.
A mensagem final é menos festiva do que o anúncio sugere. Mesmo ao reduzir o tempo diário de baixa pressão, o governo admite que a escassez continua sendo rotina. Como resumiu a secretária Natália Resende, “São Paulo vive uma situação crônica de escassez e o uso consciente precisa fazer parte da rotina diária em todos os períodos”.
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