Witzel recua para salvar Garotinho, mas Paes ainda assombra a direita no Rio
Witzel recua para salvar Garotinho, mas Paes ainda assombra a direita no Rio
Wilson Witzel saiu da disputa pelo Palácio Guanabara quase tão rápido quanto voltou a ela. O movimento, vendido como gesto de unidade, reorganiza a centro-direita fluminense em torno de Anthony Garotinho — mas também expõe o tamanho do favoritismo de Eduardo Paes na corrida de 2026.
De um lado, os relatos convergem: Witzel abandonou a pré-candidatura para engrossar o palanque de Garotinho e tentar concentrar votos num campo que hoje aparece fragmentado. A leitura de seus aliados é pragmática, não sentimental. Segundo essa versão, a prioridade é empurrar Garotinho ao segundo turno e evitar que Paes liquide a eleição já na largada.
De outro, a manobra tem gosto de recuo. Witzel havia relançado sua volta eleitoral poucas semanas antes, após recuperar os direitos políticos, com discurso de confronto e promessa de “retomar o Rio”, mas desistiu antes mesmo de a campanha ganhar corpo. Isso faz a aliança parecer menos um ato de força e mais uma admissão de fraqueza: sozinho, ele mal arranhava o tabuleiro.
Os números reforçam essa interpretação. Levantamento citado por CartaCapital mostra Paes com 48,6% no primeiro turno, enquanto Garotinho tem 11% e Witzel, 1,9%. Num eventual segundo turno, Paes abriria 61,1% a 20,5% contra Garotinho. Ou seja: a união pode até reduzir a dispersão da direita, mas está longe de resolver seu problema central — a distância abissal para o líder.
No fim, há mais semelhança do que divergência entre as coberturas: todas tratam a desistência como uma tentativa de reorganização eleitoral. A diferença está no peso dado ao gesto. Para uns, é estratégia. Para os fatos, ao menos por enquanto, é um arranjo defensivo diante de uma corrida em que Paes segue sendo o nome a ser batido.
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