PT grita sabotagem digital na Bahia enquanto ataque às contas expõe guerra de narrativa eleitoral

As contas de Instagram do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, do senador Jaques Wagner e do ex-ministro Rui Costa foram alvo de um ataque cibernético. A ação, que adicionou milhares de seguidores falsos de origem asiática, ocorreu no dia da convenção da Federação Brasil da Esperança no estado e foi registrada na polícia.
PT grita sabotagem digital na Bahia enquanto ataque às contas expõe guerra de narrativa eleitoral

PT grita sabotagem digital na Bahia enquanto ataque às contas expõe guerra de narrativa eleitoral
As contas de Instagram de três dos principais nomes do PT na Bahia viraram campo de batalha digital às vésperas de um evento político decisivo. O episódio mistura segurança cibernética, disputa eleitoral e uma velha guerra de versões.

De um lado, a leitura governista trata o caso como sabotagem deliberada. Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa denunciaram que seus perfis foram inundados por seguidores falsos, o que levou ao fechamento temporário das contas e ao registro do caso na polícia. A Federação Brasil da Esperança afirma que o ataque coincidiu com a convenção que oficializaria as candidaturas de Jerônimo à reeleição e de Wagner e Rui ao Senado, e diz repudiar “qualquer tentativa de sabotagem cibernética ou jogo sujo eleitoral”.

Do outro, a cobertura alinhada à oposição não contesta o ataque em si, mas empilha detalhes para reforçar a gravidade e o cálculo político da ação. Segundo esse relato, mais de 70 mil perfis de origem asiática foram despejados nas contas em cerca de cinco horas, numa operação que teria começado por volta de 1h30 da madrugada. A tese é que o objetivo não era inflar popularidade, mas fabricar a aparência de compra de seguidores e até provocar sanções da Meta em pleno período eleitoral.

Há, portanto, mais convergência do que divergência entre as versões: ambas descrevem uma ofensiva coordenada, ambas vinculam o episódio ao calendário eleitoral e ambas apontam prejuízo político imediato. A diferença está no enquadramento. Um lado enfatiza o ataque como prova de “jogo sujo”; o outro o apresenta como uma operação mais sofisticada, desenhada para contaminar a percepção pública e criar uma acusação artificial.

Rui Costa foi o mais explícito ao politizar o caso: “Típico do padrão bolsonarista de fazer campanha. Ataque, fake news, mentira”. A autoria, porém, segue sem prova pública conclusiva. Até aqui, o fato sólido é este: no dia da convenção petista na Bahia, a guerra eleitoral migrou da rua para o algoritmo.

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