Uefa derruba plano da Fifa e expõe crise de confiança em Infantino

A Uefa criticou duramente o presidente da Fifa, Gianni Infantino, declarando ter perdido a confiança em sua liderança. A reação ocorreu após Infantino abandonar um plano controverso de criar uma entidade comercial para a Copa do Mundo e vender parte dela a investidores, o que a Uefa chamou de "esquema secreto" que desrespeitou a governança do futebol.
Uefa derruba plano da Fifa e expõe crise de confiança em Infantino

Uefa derruba plano da Fifa e expõe crise de confiança em Infantino
O recuo de Gianni Infantino evitou uma guerra aberta no futebol mundial, mas não conteve o estrago político. Ao abandonar o plano de vender uma fatia comercial da Copa do Mundo, o presidente da Fifa trocou uma derrota tática por uma crise de confiança bem mais profunda.

De um lado, a Uefa tratou a retirada da proposta como vitória — e como prova de que o método de Infantino virou o centro do problema. A entidade europeia denunciou um “esquema secreto com prazos acelerados” e afirmou que “a tarefa de reconstruir a confiança na Fifa está apenas começando”. Em outra frente, a Federação Inglesa engrossou o coro e resumiu o momento como “hora de uma revisão”, pressionando por uma reavaliação da governança da entidade.

A crítica europeia, porém, não ficou só no procedimento; virou ataque direto à liderança. Segundo relatos sobre o comunicado, a Uefa avaliou que Infantino articulou um “acordo obscuro, de bastidores e sem transparência” e que a cúpula da Fifa “não perdeu apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”. O efeito imediato foi político: o recuo, que deveria encerrar a turbulência, passou a alimentar dúvidas sobre o futuro do cartola no cargo.

Do outro lado, a Fifa sustentou que a ideia buscava fortalecer as 211 associações-membro, com repasses extras e mais dinheiro para desenvolvimento. O argumento era pragmático: profissionalizar ativos para ampliar receitas. Mas esse discurso bateu de frente com a percepção de opacidade e centralização, e desmoronou quando Europa, Ásia e Concacaf reagiram.

Nem todos embarcaram na rejeição imediata. A Conmebol adotou um tom mais cauteloso, pediu detalhes sobre “alcance, estrutura, governança e possíveis impactos” e disse reconhecer que “o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras”, desde que elas “estejam a serviço do futebol”. Sem a “venda da Copa”, o tabuleiro agora muda: a Fifa tende a empurrar outra pauta explosiva, a expansão do Mundial para 64 seleções.

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