Infantino recua, mas a UEFA quer mais do que a queda do plano
Infantino recua, mas a UEFA quer mais do que a queda do plano
Gianni Infantino abortou seu plano de vender uma fatia do braço comercial da Fifa, mas o recuo não desarmou a crise. Ao contrário: o presidente salvou a proposta, não a própria autoridade.
A disputa expôs duas leituras bem diferentes sobre o futuro da Fifa. De um lado, Infantino e seus aliados venderam a ideia como uma engenharia financeira para turbinar repasses às 211 associações nacionais e ampliar o caixa do futebol global. Segundo a própria defesa do projeto, a nova empresa poderia levantar até US$ 4,2 bilhões e reforçar o ciclo de financiamento da entidade. De outro, UEFA, Federação Inglesa e Concacaf enxergaram algo bem mais tóxico: uma guinada opaca, apressada e concentradora de poder.
Foi a UEFA quem levou o confronto ao limite. A entidade europeia celebrou a retirada da proposta, mas disse que a Fifa tentou impor um “esquema secreto com prazos acelerados” e afirmou ter perdido a confiança em Infantino. O recado foi político, não técnico: para os europeus, o problema já não era só o modelo de negócio, mas a liderança. A Federação Inglesa engrossou o coro ao dizer que era “hora de uma revisão”.
Já a Conmebol adotou um tom mais cauteloso. Em vez de comprar a briga frontalmente, pediu mais detalhes e disse que analisaria alcance, governança e impactos do projeto “com a responsabilidade e o rigor que o tema exige”. É uma diferença importante: enquanto a UEFA tratou o caso como ruptura de confiança, os sul-americanos preferiram enquadrá-lo como debate institucional.
Nos bastidores, porém, o estrago parece maior do que o recuo formal. Relatos apontam que o fiasco alimentou dúvidas sobre a reeleição de Infantino e até sobre sua permanência no comando da Fifa. E há um detalhe que tornou tudo mais explosivo: a revelação de que seu salário poderia saltar para US$ 30 milhões caso a estrutura fosse aprovada.
No fim, o contraste é brutal. Para Infantino, era modernização. Para os críticos, foi a tentativa de privatizar influência dentro do futebol mundial.
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