Parque militar em SC vende memória como aventura — e aposta que isso basta

Foi inaugurado em Tijucas (SC) o Bravura Park, o primeiro parque temático militar da América Latina. Com um investimento de R$ 100 milhões, o local oferece experiências imersivas, como passeios em veículos blindados, e exibe um acervo com mais de 5 mil peças históricas.
Parque militar em SC vende memória como aventura — e aposta que isso basta

Parque militar em SC vende memória como aventura — e aposta que isso basta
O Bravura Park estreia em Tijucas, em Santa Catarina, tentando transformar imaginário bélico em produto turístico. A promessa é ambiciosa: misturar acervo histórico, adrenalina e consumo numa fórmula que quer se vender como novidade continental.

De um lado, o empreendimento se apresenta como marco de mercado. A administração o vende como “o primeiro parque temático militar da América Latina”, com R$ 100 milhões em investimento e apelo suficiente para puxar turismo, serviços e novos negócios no entorno. A leitura é de expansão: um equipamento de entretenimento de grande porte, às margens da BR-101, desenhado para captar tanto curiosos quanto fãs de história militar.

De outro, o próprio modelo do parque explicita sua aposta mais delicada: transformar experiência militar em lazer consumível. O Bravura Park não se limita a um museu. Oferece passeios em blindados reais, aerobarco, arvorismo tático, tirolesa paraquedista e estande de tiro airsoft, enquanto crianças recebem “missões” em miniblindados elétricos. É aí que mora a diferença central: seus defensores falam em imersão histórica; críticos podem ver uma estetização da guerra embalada como diversão de fim de semana.

A curadoria do acervo tenta sustentar o argumento da memória. Segundo a cobertura, são mais de 5 mil peças históricas, 192 viaturas, utensílios, documentos e ambientação cenográfica para recriar conflitos entre os séculos XVIII e XX. Já a operação comercial puxa para outro lado: ingressos promocionais, pacotes extras e limite inicial de visitantes na pré-abertura sugerem menos um memorial e mais uma máquina de entretenimento temático em fase de teste.

No fim, a comparação mais honesta talvez seja esta: o parque tenta ocupar ao mesmo tempo o lugar de museu, atração radical e âncora econômica. Se essa combinação parece inovadora para uns, para outros ela embaralha memória e espetáculo num grau difícil de ignorar.

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