Infantino recua, mas perde a Europa — e agora a crise na FIFA virou disputa por poder

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, recuou de um plano para criar uma nova entidade comercial e vender participação a investidores após forte oposição da UEFA e de outras confederações. A UEFA declarou ter perdido a confiança na liderança de Infantino, citando um "esquema secreto", o que gerou uma crise e dúvidas sobre o futuro do presidente no comando da entidade.
Infantino recua, mas perde a Europa — e agora a crise na FIFA virou disputa por poder

Infantino recua, mas perde a Europa — e agora a crise na FIFA virou disputa por poder
O recuo de Gianni Infantino evitou uma guerra aberta imediata na FIFA, mas não estancou o dano político. O plano de vender uma fatia dos negócios da entidade ruiu; a autoridade do presidente, também.

De um lado, a UEFA tratou o episódio como uma quebra de confiança em escala institucional. A confederação europeia disse que a FIFA tentou empurrar um “esquema secreto com prazos acelerados” e concluiu que a liderança de Infantino perdeu credibilidade. A Federação Inglesa embarcou na mesma linha e classificou o momento como “hora de uma revisão”, ampliando a pressão por uma devassa na governança da entidade.

Do outro, o entorno de Infantino ainda tenta vender o recuo como correção de rota, não como rendição. O presidente abandonou a criação da Fifa Forward Enterprise, subsidiária que concentraria direitos comerciais e poderia vender até 20% de participação para investidores, num negócio estimado em US$ 4,2 bilhões. Publicamente, a justificativa foi a divisão causada no futebol; nos bastidores, o movimento foi lido como derrota política em alta voltagem.

A diferença entre os blocos está no tom — condenação na Europa, cautela em parte da América do Sul —, mas há um ponto comum: ninguém saiu defendendo o plano com entusiasmo. A Conmebol, por exemplo, não comprou a cruzada anti-Infantino da UEFA, porém tampouco endossou o projeto. Preferiu pedir mais detalhes e avisou que decisões comerciais “devem sempre estar a serviço do futebol”.

Essa ambiguidade ajuda a explicar o impasse. A UEFA fala em reconstruir a confiança e já flerta com mudança no comando; outras confederações pesam custos e alianças antes de romper. Enquanto isso, cresce a especulação sobre o futuro de Infantino, inclusive pelo desgaste adicional causado por relatos de que o arranjo poderia turbinar sua remuneração para US$ 30 milhões anuais. O plano caiu. A crise, não.

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