Infantino recua, mas a rebelião na Fifa agora mira seu cargo

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, enfrenta uma grave crise de liderança após o fracasso de seu plano para criar uma empresa subsidiária e vender participações em direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. A proposta, que poderia ter aumentado seu salário para US$ 30 milhões, foi fortemente rejeitada por confederações como a UEFA, que declarou perda de confiança em sua gestão.
Infantino recua, mas a rebelião na Fifa agora mira seu cargo

Infantino recua, mas a rebelião na Fifa agora mira seu cargo
Gianni Infantino sobreviveu ao colapso do seu plano comercial, mas saiu menor dele. O recuo da Fifa na venda parcial de direitos da Copa do Mundo conteve a explosão imediata — não a crise de confiança que agora ronda a presidência da entidade.

De um lado, a versão dos críticos é devastadora: a proposta de criar a Fifa Forward Enterprise para abrir participações a investidores privados cruzou uma linha política e simbólica. A Uefa afirmou que Infantino conduziu a ideia com “planos secretos em prazos acelerados” e declarou que “a tarefa de reconstruir a confiança na Fifa está apenas começando”. A federação inglesa foi na mesma direção, cobrando “uma revisão completa e robusta da liderança e governança da Fifa”.

Clubes influentes abraçaram esse argumento. O Real Madrid classificou a retirada do projeto como “uma boa notícia para o futebol” e agradeceu às entidades que se opuseram “com firmeza e responsabilidade”. Em sua crítica mais substantiva, o clube afirmou que o futebol de seleções e a Copa “nunca devem ser tratados como simples ativos financeiros destinados a serem comercializados em benefício de poucos”.

Do outro lado, o que ainda sustenta Infantino é menos convicção pública do que matemática política. Há relatos de apoio relevante de federações da África e da Ásia, além da ausência de confronto aberto da Conmebol e do respaldo de aliados estratégicos, como o Marrocos. Esse bloco pode não encerrar a crise, mas ajuda a explicar por que a queda do presidente ainda é hipótese, não fato consumado.

O desgaste, porém, ganhou contornos mais tóxicos quando surgiram detalhes sobre dinheiro e poder. Reportagens apontam que a nova estrutura poderia elevar a remuneração de Infantino para US$ 30 milhões, cerca de seis vezes acima do nível atual. A partir daí, o debate deixou de ser só governança. Virou também um teste brutal sobre quem controla o maior ativo do futebol mundial — e em benefício de quem.

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