Família de Moraes perde ação, e imunidade de senador prevalece

A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de indenização da família de Alexandre de Moraes contra Alessandro Vieira. A decisão entendeu que a fala sobre recursos e o PCC estava ligada à atividade parlamentar, sem prova de intenção ofensiva.
Família de Moraes perde ação, e imunidade de senador prevalece

Família de Moraes perde ação, e imunidade de senador prevalece
A disputa transformou uma entrevista sobre crime organizado em um teste dos limites entre crítica parlamentar e dano à reputação. Na primeira instância, a balança pendeu para a imunidade do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), não para a família do ministro Alexandre de Moraes.

Viviane Barci de Moraes e os filhos Giuliana e Alexandre Barci pediam R$ 60 mil por danos morais. Eles sustentaram que Vieira os havia associado ao PCC ao mencionar, em entrevista, a existência de informações sobre “circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes”.

A versão da família era a de que a declaração criou uma ligação indevida entre o escritório de advocacia e a facção. Já Vieira negou ter feito essa acusação: segundo sua defesa, a referência era ao Banco Master, que havia contratado a banca, e não a um recebimento de dinheiro do crime organizado.

O juiz Fabio de Souza Pimenta tratou o caso como um conflito de interpretação, não como imputação direta de crime. Para ele, as falas estavam vinculadas à atuação de Vieira como relator da CPI do Crime Organizado — condição que aciona a imunidade parlamentar material. A sentença também não identificou dolo para caluniar, difamar ou ofender os autores.

O contraste é central: a família viu uma insinuação capaz de ferir sua honra profissional; a Justiça viu um comentário político protegido, ainda que controverso. O magistrado observou que o resultado seria outro se o senador tivesse afirmado de maneira inequívoca que os familiares receberam valores do PCC, “sem certeza da veracidade dessa informação e com dolo de causar dano à imagem dos autores”.

Com a ação julgada improcedente, Viviane Barci e os filhos ainda foram condenados a pagar custas processuais e honorários aos advogados de Vieira.

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