Álvaro Dias sai da disputa e expõe a fratura na base de Ratinho Jr.

Mesmo favorito nas pesquisas, o ex-senador Álvaro Dias desistiu de concorrer ao Senado após a aliança governista falhar em unificar sua candidatura. O recuo reorganiza a corrida e amplia a pressão sobre o PSD para fechar sua chapa.
Álvaro Dias sai da disputa e expõe a fratura na base de Ratinho Jr.

Álvaro Dias sai da disputa e expõe a fratura na base de Ratinho Jr.
Álvaro Dias deixou a corrida ao Senado quando parecia ter mais votos do que espaço na própria aliança. O favorito nas pesquisas decidiu recuar, convertendo uma candidatura competitiva em retrato da disputa interna na base de Ratinho Jr.

O ex-senador do MDB anunciou que não concorrerá a uma das vagas pelo Paraná após a entrada de seu partido na coligação liderada pelo PSD. Na justificativa, disse que faltou convergência no grupo do governador: “Hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno de meu nome”.

A leitura da oposição é mais dura: Dias, embora liderasse as sondagens, teria sido barrado pela resistência de Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao Senado. Nesse cálculo, sua entrada não fortaleceria a chapa governista; criaria concorrência por uma vaga disputada no campo da centro-direita.

Do lado pró-governo, o foco recai menos sobre veto e mais sobre a reorganização da aliança. A expectativa é que Ratinho Jr. apoie Curi e Cristina Graeml, enquanto a saída de Dias torna ainda mais aberta a disputa contra nomes como Deltan Dallagnol, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros.

Dias procurou enquadrar o recuo como disciplina política, não derrota. “Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora”, afirmou. Aos 81 anos e depois de uma longa trajetória no Paraná, ele acrescentou que não será candidato, decisão que considerou a mais correta nas circunstâncias.

As duas versões coincidem num ponto: a desistência muda o tabuleiro. Divergem, porém, sobre o motivo — gesto de unidade para uns, evidência de uma unidade que nunca se formou para outros.

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