Cleitinho deixa a liderança nas pesquisas e expõe o vazio da direita em Minas
Cleitinho deixa a liderança nas pesquisas e expõe o vazio da direita em Minas
Cleitinho Azevedo saiu da corrida ao governo de Minas liderando as pesquisas, mas sem condições — segundo ele próprio — de atravessar uma campanha. A desistência encerra uma novela partidária e abre uma lacuna no palanque da direita no segundo maior colégio eleitoral do país.
Em vídeo ao lado do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, o senador atribuiu o recuo à morte recente do irmão, Matheus, vítima de leucemia. Emocionado, pediu desculpas aos mineiros: “Não adianta entrar numa campanha do jeito que eu estou. Não adianta querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim e da minha família.” Ele permanecerá no Senado.
A versão do partido combina solidariedade e cobrança. Pereira diz que a legenda reabriu a possibilidade de candidatura, conversou com PL, União Brasil e PP, mas que a decisão final foi espontânea. Ao mesmo tempo, recorda que Cleitinho faltou à convenção e não formalizou o projeto quando a direção exigia definição: “Demos toda a oportunidade para que ele pudesse ser candidato.” Para o Republicanos, o luto explica o desfecho; para críticos internos, a hesitação tornou inviável montar uma chapa.
O contraste é especialmente duro porque Cleitinho aparecia com 34% a 35% das intenções de voto nos cenários da Quaest, à frente dos adversários. Ainda assim, a popularidade não substituiu estrutura partidária. O colunista Leonardo Sakamoto resume o argumento institucional: “Os partidos políticos são responsáveis e donos do processo eleitoral e da candidatura; não temos candidaturas avulsas.”
A saída reorganiza a direita em torno do ex-secretário Marcelo Aro, provável opção de Republicanos, PL e União Progressista — e enfraquece o palanque mineiro de Flávio Bolsonaro. Do outro lado, o deputado petista Rogério Correia tratou a desistência com ironia, falou em “lágrimas de crocodilo” e levantou acusações políticas contra Cleitinho e aliados. São críticas do adversário, não fatos comprovados no anúncio. O dado central é menos espetacular: Minas perde o favorito das sondagens, e ganha uma disputa mais aberta, fragmentada e dependente de acordos de última hora.
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