Michelle troca o palco do PL pelo hospital, mas mantém a corrida ao Senado

Ausente da convenção por uma cefaleia refratária, Michelle Bolsonaro teve sua candidatura ao Senado pelo DF confirmada. O episódio mistura uma crise de saúde real com a necessidade do PL de exibir reconciliação e unidade eleitoral.
Michelle troca o palco do PL pelo hospital, mas mantém a corrida ao Senado

Michelle troca o palco do PL pelo hospital, mas mantém a corrida ao Senado
Michelle Bolsonaro faltou ao palco que deveria simbolizar sua volta ao centro da campanha bolsonarista. Ainda assim, o PL do Distrito Federal confirmou sua candidatura ao Senado enquanto ela tratava uma crise prolongada de enxaqueca em Brasília.

Pela leitura dos aliados, a ausência foi estritamente médica: após 16 dias de dor, a ex-primeira-dama recebeu diagnóstico de cefaleia refratária, foi submetida a bloqueios anestésicos de nervos cranianos e pericranianos e deixou o hospital sob efeito de medicamentos que a teriam deixado sonolenta. O procedimento, aplicado em nervos da superfície da cabeça e da nuca — e não no cérebro — é indicado quando remédios usuais não controlam a crise.

No plano político, porém, a cadeira vazia carregava um peso adicional. A convenção seria o primeiro encontro público entre Michelle e Flávio Bolsonaro desde a troca de acusações que expôs a divisão da família e do partido. Ela havia dito ter sido “maltratada e desrespeitada”; ele pediu desculpas semanas depois. A confirmação da chapa com Bia Kicis, portanto, foi apresentada pelo PL como sinal de recomposição, mesmo sem a imagem presencial da reconciliação.

A oposição e a cobertura mais crítica convergem quanto ao quadro clínico, mas sublinham o risco político que ele revelou: Michelle chegou a cogitar não disputar a vaga após a briga pelo palanque no Ceará, e dirigentes temiam perder uma figura decisiva para o eleitorado feminino e evangélico. A internação afastou a candidata do evento; a homologação, por sua vez, impediu que a incerteza contaminasse a estratégia do partido.

Em vídeo após o atendimento, Michelle associou recuperação e campanha ao agradecer: “Eu já estava há 16 dias com enxaqueca, fui ao hospital, e o resultado foi cefaleia refratária.” Na carta lida por seu irmão na convenção, fez o gesto político que faltou no palco: afirmou que ela e Jair Bolsonaro caminharão juntos para “impedir que o mal seja audacioso”.

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