Luto tira Cleitinho da disputa e embaralha a corrida por Minas

Líder nas pesquisas, Cleitinho Azevedo desistiu de concorrer ao governo mineiro ao alegar que precisa cuidar de si e da família após a morte do irmão. A saída abre espaço para Marcelo Aro, mexe no palanque de Flávio Bolsonaro e anima adversários.
Luto tira Cleitinho da disputa e embaralha a corrida por Minas

Luto tira Cleitinho da disputa e embaralha a corrida por Minas
Cleitinho Azevedo deixou a disputa pelo governo de Minas quando parecia ter a eleição nas mãos. O luto venceu a conveniência eleitoral — e a ausência do favorito transformou uma corrida até então previsível numa batalha por alianças.

O senador do Republicanos, líder nas pesquisas, anunciou que permanecerá no Senado após semanas de atrito com a própria legenda. Em vídeo ao lado do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, chorou e pediu desculpas: “Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim e da minha família. […] Eu não estou bem.” A morte do irmão, Matheus Azevedo, em julho, é a razão declarada para o recuo.

A leitura do Republicanos procura separar drama pessoal de veto partidário. Pereira diz que a sigla ofereceu condições para a candidatura, mas que Cleitinho faltou à convenção e demorou a se definir; ao final, sustenta que a desistência foi espontânea. Para aliados, portanto, não é uma expulsão, mas o encerramento de uma pré-candidatura que já desgastava a coalizão.

O efeito político, porém, é o oposto de uma saída silenciosa. Sem Cleitinho, os indecisos sobem de 15% para 27% na Quaest, enquanto Alexandre Kalil, Patrus Ananias e Mateus Simões ganham fôlego — um cenário que, na avaliação publicada, “zera o game” mineiro. A direita perde seu nome mais competitivo e volta-se para Marcelo Aro, possível ponto de encontro entre Republicanos, PL e União Progressista.

Para o PL, a urgência é nacional: Minas é peça-chave para o palanque de Flávio Bolsonaro. O diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, resume a incerteza: “O quadro fica em aberto”; Republicanos e PL podem apoiar Aro ou se aproximar de Simões.

À esquerda, a reação foi menos cautelosa. O deputado petista Rogério Correia ironizou a desistência com a pergunta “Rabo preso?” e apresentou Patrus como alternativa “proba, experimentada”. A acusação expõe o contraste: enquanto Cleitinho e seu partido pedem respeito ao luto, adversários tratam o desfecho como sinal de fragilidade da direita — e oportunidade para o PT.

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