Greve expõe o custo político da privatização nas linhas da CPTM

A paralisação nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade põe ferroviários e governo em rota de colisão: de um lado, emprego e segurança; de outro, promessas de negociação e continuidade do serviço.
Greve expõe o custo político da privatização nas linhas da CPTM

Greve expõe o custo político da privatização nas linhas da CPTM
A greve por tempo indeterminado nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade transformou a privatização da CPTM em um teste imediato — e caro — para o governo paulista. Enquanto trabalhadores contestam a concessão, o Estado tenta conter os efeitos sobre quem depende do trem.

Para os ferroviários, a paralisação não é apenas uma disputa salarial: é uma reação à transferência das linhas para a Trivia Trens. O sindicato exige garantia de emprego e preservação de direitos para cerca de 4 mil trabalhadores, além de questionar um processo que considera pouco transparente e prejudicial aos usuários e à categoria. A leitura dos grevistas ganhou força após um incêndio e falhas elétricas nos primeiros dias da concessionária, episódios que levaram o governo a devolver temporariamente a operação à CPTM.

O contraste é evidente. O governo Tarcísio de Freitas havia defendido a concessão como caminho para expandir e modernizar o atendimento metropolitano. Agora, sustenta que ofereceu alternativas, como absorção de funcionários por outros órgãos estaduais e análise de pautas da categoria. Em nota conjunta, Estado e CPTM lamentaram a greve, apesar de “compromissos concretos” e de disposição para negociar.

A crise operacional, porém, enfraquece a promessa de que a mudança elevaria o serviço. A portaria do Ministério Público registrou mais de sete falhas graves em apenas três dias após a entrada da Trivia, com riscos ao bem-estar e à integridade dos passageiros. A empresa diz que colaborará com as apurações e prestará os esclarecimentos solicitados.

Para o governo, a greve agrava um problema que deveria resolver: a nota afirma que ela “não contribui para a negociação” e prejudica trabalhadores, estudantes e passageiros. O TRT determinou funcionamento mínimo de 80% do efetivo nos picos e 60% nos demais horários, sob multa diária de R$ 400 mil ao sindicato. A prefeitura suspendeu o rodízio, sinal de que a disputa ferroviária já transbordou para toda a cidade.

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