Cury entra na disputa prometendo lucidez, mas corteja a direita paulista
Cury entra na disputa prometendo lucidez, mas corteja a direita paulista
Augusto Cury entrou oficialmente na corrida ao Planalto vendendo uma alternativa à polarização — mas sua estreia reuniu, no mesmo palco, a promessa de renovação e um aceno explícito à direita paulista.
Na convenção do Avante, na Assembleia Legislativa de São Paulo, o escritor e psiquiatra apresentou o semipresidencialismo como eixo de sua campanha. A ideia é separar as funções estratégicas do presidente da gestão cotidiana, entregue a um primeiro-ministro. Cury foi além: disse que Tarcísio de Freitas seria seu nome preferido para o posto. “O primeiro-ministro que está no meu radar, que eu teria o privilégio de convidar, se chama Tarcísio de Freitas.”
O gesto ganhou peso porque Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes participaram do lançamento, embora ambos apoiem Flávio Bolsonaro para a Presidência. O governador desejou boa sorte ao candidato, sem abraçar formalmente sua campanha. Cury, por sua vez, tenta transformar essa proximidade em ponte institucional, não em alinhamento eleitoral: afirma que a polarização “adoeceu o país” e se apresenta como “a única candidatura que quer dar um choque de lucidez na política”.
A candidatura também nasce sem vice e sem a aliança que Cury buscou com Romeu Zema. As conversas com o Novo não avançaram, embora o escritor sustente que os dois, vindos de trajetórias fora da política tradicional, poderiam compor uma chapa de perfil gerencial.
Enquanto a cobertura do lançamento enfatiza o desenho de poder e a ambiguidade das alianças, seus críticos destacam o conteúdo ainda heterogêneo do programa. Cury promete uma campanha “100% baseada em projetos e 0% em ataques pessoais”, com drones e inteligência artificial contra o feminicídio, atendimento psicológico a crianças vítimas de abuso, mandatos para ministros do STF e 10 mil clubes de empreendedorismo. É uma plataforma que combina reformas institucionais, segurança e autoajuda cívica — ampla o bastante para marcar distância dos polos, mas ainda em busca de um eleitorado próprio.
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