Guerra entre PCC e CV expõe a fronteira frágil da Bolívia

Nove mortes em cinco dias em Santa Cruz elevaram a pressão sobre o governo boliviano. Enquanto a gestão Paz exibe reforço policial e cooperação com o Brasil, críticas destacam uma fragilidade estatal acumulada na fronteira.
Guerra entre PCC e CV expõe a fronteira frágil da Bolívia

Guerra entre PCC e CV expõe a fronteira frágil da Bolívia
Nove mortes em cinco dias transformaram a região boliviana de Santa Cruz em novo front da disputa entre PCC e Comando Vermelho. A batalha por rotas de cocaína põe à prova a promessa de controle do governo de Rodrigo Paz na fronteira com o Brasil.

A versão pró-governo centra-se na reação: o Ministério de Governo atribui os crimes — entre eles uma chacina de quatro pessoas, dois corpos decapitados e o assassinato de um policial — à disputa por um corredor de exportação de drogas. “Eles estão disputando um corredor por onde os narcotraficantes enviam droga para o exterior”, afirmou o ministro Marco Antonio Oviedo.

Nessa leitura, a ofensiva já está em curso. O governo diz ter expulsado 17 chefes de organizações criminosas internacionais desde novembro, além de apreender aeronaves, imóveis e centenas de toneladas de drogas. Também enviou cerca de 250 policiais para San Matías e anunciou bases da Polícia Federal brasileira no país para ampliar a cooperação.

A perspectiva da oposição não contesta a guerra entre as facções nem a necessidade de integrar forças com o Brasil. Mas desloca o foco da resposta imediata para a falha que tornou o avanço possível. Após a emboscada que matou um agente de inteligência, Oviedo reconheceu que o crime ocorreu “devido a uma fragilidade estrutural” do Estado, depois de “20 anos de infiltração e consolidação do narcotráfico” na Bolívia.

O contraste é político e operacional: a administração conservadora apresenta prisões, apreensões e patrulhas como prova de virada; a crítica ressalta que esses números não apagam uma fronteira já infiltrada. O plano Fronteiras Seguras, prometido para as próximas semanas, prevê controles em cidades como San Matías, Puerto Suárez, Cobija e Guayaramerín. A aposta é fechar as saídas da droga e as entradas dos criminosos — antes que a guerra brasileira se estabilize em território boliviano.

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