Greve põe empregos e privatização da CPTM em choque — e passageiros pagam a conta
Greve põe empregos e privatização da CPTM em choque — e passageiros pagam a conta
A disputa sobre o futuro da CPTM saiu das mesas de negociação e travou os trilhos. De um lado, ferroviários veem a concessão como ameaça ao emprego e ao serviço público; de outro, o governo paulista trata a greve como pressão política que recai sobre quem depende do trem.
A paralisação por tempo indeterminado atingiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto. A Linha 11 operou apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases; a 12, entre Brás e Engenheiro Goulart; e a 13 ficou parada. O impacto se espalhou pela Zona Leste e cidades do Alto Tietê, enquanto a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos.
Para o sindicato, o centro da crise não é apenas a greve, mas o destino de cerca de 4 mil trabalhadores e das linhas transferidas à Trivia Trens. A categoria pede a reversão da concessão, reestatização e uma garantia formal contra demissões — exigência reforçada depois de panes, atrasos e um incêndio em trem que levou a CPTM a reassumir temporariamente a operação. “A nossa principal reivindicação é a garantia da manutenção dos empregos das linhas 11, 12 e 13”, afirmou o dirigente Luiz Barbosa Neto Junior.
O governo de Tarcísio de Freitas rebate que a concessão é justamente o caminho para modernizar o sistema, com novos trens, estações acessíveis e expansão da malha. Também diz ter oferecido absorção de funcionários em outros órgãos e manutenção de benefícios, mas acusa o sindicato de rejeitar as propostas. “Uma concessão é feita para melhorar os serviços”, declarou o governador.
Há, porém, um ponto comum: ambos reconhecem que o passageiro está no centro do impasse. A diferença é sobre quem o prejudica — os trabalhadores, na leitura do governo, ou uma privatização lançada sem salvaguardas suficientes, na visão sindical. Com 128 ônibus do Paese e reforço no Metrô, o plano de contingência ameniza, mas não resolve, a ruptura. A Justiça determinou 80% do efetivo nos picos e 60% nos demais horários, sob multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.
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