Greve expõe o abismo entre promessa de emprego e garantia por escrito

Ferroviários mantêm a paralisação nas linhas 11, 12 e 13 da CPTM enquanto cobram proteção formal contra os efeitos da concessão. Governo diz que os postos estão preservados, mas passageiros já pagam o preço da disputa.
Greve expõe o abismo entre promessa de emprego e garantia por escrito

Greve expõe o abismo entre promessa de emprego e garantia por escrito
A greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade transformou uma disputa sobre concessão e empregos em um teste imediato para o transporte de São Paulo. De um lado, ferroviários exigem uma assinatura; de outro, o governo sustenta que a promessa já foi feita — e aponta o impacto sobre quem depende dos trens.

Para o sindicato, o centro do conflito não é apenas a operação das linhas, mas o destino dos trabalhadores quando a gestão passar à iniciativa privada. A categoria mantém a paralisação por tempo indeterminado porque considera insuficientes os compromissos anunciados verbalmente. “A exigência é que a gente continua sendo contra a privatização. Precisamos de garantia dos empregos dos trabalhadores da CPTM”, afirmou Luiz Barbosa Neto Júnior, presidente do STEFZCB.

A leitura do governo é oposta. Em nota, Estado e CPTM dizem ter assegurado que não haverá demissões durante a realocação e classificam a greve como uma decisão sem base trabalhista concreta: “A manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera da paralisação.” A gestão também associa a concessão a investimentos, renovação de trens e expansão da malha — benefícios que, segundo o governador Tarcísio de Freitas, não podem ser bloqueados pela paralisação.

O ponto de convergência é estreito: ambos afirmam estar abertos ao diálogo e admitem discutir alternativas, como a absorção de empregados por outros órgãos estaduais. A diferença decisiva é documental: o governo fala em garantia comunicada; os ferroviários cobram um compromisso formal que cubra todos os postos e direitos.

Enquanto a negociação patina, o passageiro absorve o choque. Com trechos reduzidos, ônibus emergenciais e plataformas lotadas, a rotina se alongou na Zona Leste e no Alto Tietê. “Tá bem pior hoje do que em outros dias”, resumiu a vendedora Natalli Freitas, que calculava gastar uma hora extra para chegar em casa. O TRT determinou operação mínima de 80% do efetivo no pico e 60% nos demais horários, sob multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.

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