Zema fecha chapa pura com Girão e transforma o STF em alvo eleitoral

A escolha de Eduardo Girão como vice de Romeu Zema consolida uma chapa 100% Novo, mas expõe a dificuldade do partido em atrair alianças. Para aliados, a dupla soma gestão e conservadorismo; críticos veem uma aposta no confronto com o Supremo.
Zema fecha chapa pura com Girão e transforma o STF em alvo eleitoral

Zema fecha chapa pura com Girão e transforma o STF em alvo eleitoral
Romeu Zema encontrou em Eduardo Girão o vice que faltava — e, ao mesmo tempo, revelou o tamanho do isolamento de sua candidatura. A chapa presidencial do Novo nasce homogênea, conservadora e disposta a disputar a direita pelo discurso de enfrentamento.

A confirmação do senador cearense encerra a busca por um parceiro de chapa e obriga Girão a abandonar sua pré-candidatura ao governo do Ceará. A versão mais institucional é a de uma decisão amadurecida dentro do partido: Zema já havia dito que o nome do vice provavelmente seria resolvido internamente. O resultado é uma composição “puro-sangue”, com os dois postos ocupados por filiados do Novo.

Mas a leitura sobre o desfecho muda conforme a lente. Para a campanha, Girão oferece ficha limpa, perfil conservador e disposição para combater o que Zema chama de excessos de Brasília. “Em oito anos como senador, Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília”, afirmou o ex-governador. A escolha também busca dar a Zema uma ponte com o Nordeste, onde sua presença eleitoral é mais limitada.

Na crítica, a chapa interna não é apenas identidade partidária: é consequência de negociações frustradas com Podemos e Democracia Cristã. A avaliação é reforçada pelo abandono da corrida cearense por Girão, que aparecia com 3% na pesquisa Genial/Quaest, muito atrás de Ciro Gomes, com 43%, e de Elmano de Freitas, com 33%.

O ponto de convergência entre as duas narrativas é claro: Girão dá nitidez à campanha. A diferença está no significado. Aliados vendem coerência e coragem; opositores enxergam uma saída sem aliados e uma tentativa de capturar o eleitorado bolsonarista por meio de ataques ao STF. Nos bastidores, a escolha é associada à promessa de um vice que “jamais se curvou” à Corte — sinal de que o Supremo deve permanecer no centro da ofensiva de Zema.

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