Terceiro inquérito contra Lulinha amplia pressão e embate sobre a PF
Terceiro inquérito contra Lulinha amplia pressão e embate sobre a PF
A autorização de Flávio Dino para um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, elevou a pressão sobre o filho do presidente e abriu uma disputa paralela: a investigação é tratada como necessária pela PF, enquanto a defesa aponta contaminação política.
O novo procedimento mira suspeitas de tráfico de influência em negócios ligados à empresa de tecnologia 3Structure IT, cujos contratos com o governo federal somam R$ 55,7 milhões. A linha investigativa sustenta que Lulinha poderia ter usado a condição de filho do presidente para beneficiar parceiros e facilitar negócios e investimentos.
A decisão de Dino se soma a duas autorizações anteriores de André Mendonça. Elas tratam de supostas negociações ligadas à venda de cannabis medicinal no Ministério da Saúde e de tentativas de obtenção de contratos com a Dataprev e outros órgãos públicos. As frentes nasceram de elementos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
Há, porém, um contraste importante no mesmo despacho: Dino também autorizou uma investigação sobre o vazamento de dados sigilosos. Nessa apuração, Lulinha pode figurar como vítima — justamente uma das queixas levantadas por seus advogados.
A defesa diz receber a abertura do caso “com absoluta tranquilidade” e promete colaboração. Marco Aurélio de Carvalho afirma que seu cliente “vai se colocar à disposição de forma voluntária e espontânea de todas as autoridades” e provará não ter relação com irregularidades. Ao mesmo tempo, acusa setores da PF de serem “instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais” às vésperas de 2026.
Lula, por sua vez, buscou separar o caso da Presidência: “Não haverá nenhum privilégio”, declarou ao dizer que o filho deverá responder como qualquer cidadão. Nas redes, o terceiro inquérito foi explorado em tom de provocação: “Já pode pedir música no Fantástico!”, escreveu Rodrigo Constantino.
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