PF vê rede de lavagem; Weverton fala em ataque político

A Operação Sem Desconto colocou familiares e aliados de Weverton Rocha no centro de suspeitas sobre recursos ligados às fraudes no INSS. Enquanto a PF descreve uma estrutura financeira articulada, o senador diz que suas transações são legais e declaradas.
PF vê rede de lavagem; Weverton fala em ataque político

PF vê rede de lavagem; Weverton fala em ataque político
A nova fase da Operação Sem Desconto põe o senador Weverton Rocha sob pressão política e judicial: a PF descreve uma engrenagem de ocultação patrimonial, enquanto ele reage dizendo ser alvo de ataques em meio à disputa eleitoral.

O senador do PDT-MA não foi alvo dos 18 mandados de busca cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão, mas sua esposa, filha e duas irmãs foram. Para os investigadores, a análise de um celular atribuído a Weverton revelou um sistema em que ele faria pedidos, indicaria beneficiários, cobraria repasses e participaria de decisões sobre imóveis e patrimônio.

No centro da apuração está o advogado Willer Tomaz. A PF sustenta que sua estrutura empresarial operava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” para beneficiários do suposto esquema, com empresas, imóveis, aeronaves e operadores financeiros. A suspeita inclui uma mansão de R$ 6 milhões no Lago Sul, usada por Weverton, mas registrada em nome de uma empresa ligada ao advogado — uma separação entre propriedade formal e controle econômico que a polícia trata como ponto-chave.

Outro flanco são os mais de R$ 11 milhões que, segundo a PF, empresas vinculadas a Tomaz transferiram a Samya Rocha, mulher do senador. A investigação ainda examina movimentações em postos de combustíveis administrados pela filha e operações em espécie. Mesmo a cobertura mais cautelosa ressalta, porém, que a origem definitiva dos recursos e eventual participação consciente de Samya ainda não foram conclusivamente estabelecidas.

Weverton rebate a narrativa policial. Diz que “todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais” e foram declaradas à Receita Federal; afirma também ter “nada a esconder”. O senador chama atenção para o parecer do Ministério Público Federal contrário às buscas contra seus familiares, embora o ministro André Mendonça tenha acolhido o pedido da PF ao citar risco de destruição de provas.

A defesa de Tomaz, por sua vez, sustenta que os pagamentos a Samya correspondem a honorários por trabalho advocatício regular e nega vínculo do advogado com as fraudes previdenciárias. O contraste está posto: de um lado, indícios que a PF pretende transformar em prova; de outro, a tese de atividade lícita e perseguição política.

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