Greve expõe choque entre promessa de emprego e cobrança por garantia escrita

Ferroviários mantêm a paralisação nas linhas 11, 12 e 13 da CPTM porque rejeitam promessas verbais sobre empregos na concessão. Governo diz que não haverá demissões, enquanto passageiros enfrentam lotação, atrasos e ônibus de apoio.
Greve expõe choque entre promessa de emprego e cobrança por garantia escrita

Greve expõe choque entre promessa de emprego e cobrança por garantia escrita
A greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM transformou uma disputa sobre o futuro dos empregos em um teste imediato para quase 1 milhão de passageiros. De um lado, o governo afirma ter dado garantias; de outro, os ferroviários dizem que promessa sem assinatura não protege ninguém.

A categoria decidiu manter a paralisação por tempo indeterminado, com nova assembleia marcada para as 17h de quarta-feira. O núcleo do impasse é a concessão dos ramais: o sindicato exige um compromisso formal de preservação dos postos e aponta que, até agora, o Executivo não colocou essa segurança no papel. “O Governo do Estado ainda não apresentou uma garantia concreta por escrito de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM”, afirmou a entidade.

O governo Tarcísio de Freitas e a CPTM apresentam a leitura oposta. Em nota, sustentam que a manutenção dos empregos já foi assegurada durante a realocação dos funcionários e classificam a greve como uma decisão sem base trabalhista. “Não há demissões em curso, o que torna sem fundamento a motivação trabalhista da greve”, disseram. A divergência, portanto, não é sobre a existência de uma promessa, mas sobre seu valor: para a gestão, ela basta; para os trabalhadores, só vale se virar garantia oficial e duradoura.

Enquanto a negociação patina, a conta chega às plataformas. A Linha 11 operou apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases; a 12, entre Brás e Engenheiro Goulart; e a 13 teve circulação severamente reduzida, com o Expresso Aeroporto parado. O Paese mobilizou 128 ônibus e a capital suspendeu o rodízio, mas o reforço não compensou a capacidade perdida dos trens.

A CPTM diz que só 67% do efetivo trabalhou no pico da manhã, abaixo dos 80% exigidos pelo TRT, e que apenas três dos 126 maquinistas escalados compareceram. O sindicato, porém, devolve a pressão ao governo: afirma estar aberto a encerrar o movimento assim que receber a garantia escrita que cobra.

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