Zema fecha com Girão, mas chapa pura expõe isolamento do Novo

A escolha de Eduardo Girão para vice de Romeu Zema reforça a identidade conservadora do Novo e a ponte com o Senado. Ao mesmo tempo, a chapa pura nasce após alianças frustradas e sob pressão por espaço na direita.
Zema fecha com Girão, mas chapa pura expõe isolamento do Novo

Zema fecha com Girão, mas chapa pura expõe isolamento do Novo
Romeu Zema encontrou em Eduardo Girão um vice ideologicamente afinado — e, ao mesmo tempo, a prova de que sua campanha chegará à disputa sem o reforço de alianças externas. A chapa puro-sangue do Novo troca amplitude partidária por identidade política.

Para a direção do Novo, a indicação do senador cearense não é um plano B, mas um ativo: Girão é apresentado como voz da liberdade de expressão, crítico do STF e interlocutor capaz de aproximar um eventual Executivo do Senado. O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, afirma que o parlamentar teve atuação firme “no enfrentamento aos abusos de poder”, especialmente os atribuídos a ministros da Corte. Nessa leitura, a vice reforça a bandeira central de Zema contra os chamados abusos institucionais.

O retrato externo é menos triunfalista. A composição foi definida depois de o Novo não conseguir acordos com Podemos e Democracia Cristã, convertendo a falta de coligação em chapa exclusivamente partidária. Girão também deixa a pré-candidatura ao governo do Ceará, onde seu nome tinha respaldo de Michelle Bolsonaro, para assumir a missão nacional.

A escolha aproxima Zema de pautas conservadoras e do eleitorado nordestino, região em que o mineiro tem menor penetração. Mas também o coloca numa concorrência direta pelo campo da direita com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos; levantamento Datafolha citado na cobertura atribuía 3% das intenções de voto a Zema.

O próprio ex-governador tratou de vender Girão como mais que um aceno regional: “Em oito anos como senador, Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília.” A promessa é de uma dobradinha ativa — Zema disse que não quer “vice decorativo”. Resta saber se a afinidade programática compensará o isolamento eleitoral.

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