Fogo químico expõe risco persistente em Itaquaquecetuba
Fogo químico expõe risco persistente em Itaquaquecetuba
O incêndio na Quema Química transformou uma área industrial de Itaquaquecetuba em zona de emergência: enquanto bombeiros tentam conter as chamas, moradores enfrentam evacuação, fumaça irritante e o temor de novas explosões.
De um lado, a resposta operacional é de grande escala. Ao menos 40 viaturas e 95 bombeiros foram mobilizados para combater o fogo, que atingiu dois dos 24 tanques de solventes da empresa — um complexo que guarda cerca de 2 milhões de litros de líquidos inflamáveis. As equipes atuam com espuma e resfriamento para impedir que o incêndio alcance uma recicladora vizinha.
De outro, a contenção não elimina o perigo. O tenente-coronel Matheus Ferreira Lopes alertou que o material nos tanques está sob pressão e pode romper o isolamento, provocando novas explosões. A avaliação dos bombeiros é que o cenário melhorou desde o início, mas ainda não há prazo seguro para encerrar a ocorrência.
A prefeitura retirou cerca de 200 pessoas do entorno e isolou o quadrilátero da região; a EDP interrompeu a energia local. A fumaça alcançou cidades vizinhas, inclusive Guarulhos, embora o aeroporto siga operando normalmente. Para autoridades ambientais e de saúde, o contraste é claro: a fumaça pode causar irritação e intoxicação, mas os riscos específicos dependem da identificação dos produtos e de avaliações técnicas.
A composição do estoque ajuda a explicar a cautela. A unidade produz solventes e resinas usados em tintas, adesivos e limpeza, incluindo tolueno, hexano, álcool etílico e acetatos — substâncias voláteis, capazes de liberar vapores inflamáveis. Ainda assim, a causa do incêndio permanece sob investigação.
O comandante dos bombeiros resumiu a incerteza do combate: o caso tem “alto grau de complexidade” porque líquidos inflamáveis podem causar “explosões e extravasamento”.
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