Greve da CPTM opõe promessa de emprego ao caos nos trilhos de São Paulo
Greve da CPTM opõe promessa de emprego ao caos nos trilhos de São Paulo
A greve da CPTM entrou no segundo dia transformando uma disputa sobre empregos e concessões em mais uma manhã de deslocamentos precários para quem depende dos trilhos na Grande São Paulo.
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade operaram de forma parcial, com trechos substituídos por ônibus do Paese. A prefeitura suspendeu o rodízio, e governo e Metrô reforçaram o plano de contingência — uma resposta que buscou conter o impacto, mas não eliminou a lotação nem as longas esperas.
De um lado, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil sustenta que a paralisação só será encerrada com uma garantia oficial, por escrito, para os empregos dos funcionários diante da transferência das linhas à iniciativa privada. “Precisamos de garantia dos empregos dos trabalhadores da CPTM”, disse Luiz Barbosa Neto Júnior, presidente da entidade, reiterando também a oposição da categoria à privatização.
Do outro, o governo Tarcísio de Freitas afirma que não há demissões em curso e que os empregados estão cobertos por um plano de realocação. A gestão acusa o sindicato de ignorar os compromissos apresentados e classifica a greve como decisão baseada em “desinformação”, com prejuízo para quase 1 milhão de usuários diários. O governador elevou o tom, chamando o movimento de “instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”.
Na prática, o passageiro ficou entre as duas narrativas. Usuários relataram demora, superlotação e até motoristas sem conhecimento das rotas do Paese; em São Miguel Paulista, houve quem esperasse cerca de uma hora e meia por um ônibus. A Artesp mobilizou 195 veículos e atribuiu relatos de rota desconhecida a uma possível ocorrência pontual.
A Justiça do Trabalho tentou impor um freio ao conflito: determinou 80% do efetivo nos horários de pico e 60% no restante do dia, sob risco de multas milionárias. Enquanto sindicato e governo divergem sobre a validade das garantias, a mobilidade da cidade continua pagando a conta.
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