Gaspar vira vice de Flávio entre aposta na segurança e selo de isolamento

Flávio Bolsonaro fechou uma chapa só do PL com Alfredo Gaspar após perder aliados do Centrão. Enquanto bolsonaristas exaltam a credencial na segurança e na CPMI do INSS, adversários enxergam isolamento, risco eleitoral e uma nova frente de confronto.
Gaspar vira vice de Flávio entre aposta na segurança e selo de isolamento

Gaspar vira vice de Flávio entre aposta na segurança e selo de isolamento
Flávio Bolsonaro trocou a busca por amplitude por uma chapa de identidade rígida. Ao escolher Alfredo Gaspar para vice, o PL tenta fazer da segurança pública e da CPMI do INSS um ativo eleitoral — mas também expõe o fracasso das negociações com o Centrão.

O deputado alagoano, ex-promotor, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança, entra como vitrine de um discurso de combate ao crime e à corrupção. No anúncio, Flávio o descreveu como alguém admirado pela “coragem, honestidade” e pela trajetória na segurança pública. O senador também vinculou a escolha à atuação de Gaspar na CPMI do INSS e à intenção de ampliar a presença da chapa no Nordeste.

Para aliados bolsonaristas, a composição “puro-sangue” não representa recuo, mas coerência ideológica. Paulo Figueiredo celebrou um nome “combativo”, nordestino e assumidamente de direita, sustentando que a campanha não cedeu à pressão por uma mulher na vice. A aposta é que o currículo de Gaspar e sua exposição na CPMI ajudem a mobilizar a base mais fiel.

A leitura crítica vai na direção oposta. Analistas e veículos que acompanham o governo veem a escolha como o desfecho do isolamento do PL depois da neutralidade de PP, União Brasil, Republicanos e Podemos. O cientista político Rui Tavares Maluf avaliou que Gaspar “não tira nem acrescenta nada” às perspectivas eleitorais de Flávio. Sem aliados formais, a chapa também abre mão de mais tempo de rádio e TV — e abandona a estratégia de buscar uma vice mulher para reduzir a distância no eleitorado feminino.

No campo governista, a indicação é lida como tentativa de levar a CPMI do INSS ao centro da campanha. O deputado Rogério Correia (PT-MG) chamou a escolha de “tiro no pé”, argumentando que ela reabrirá disputas sobre a condução da comissão e as fraudes contra aposentados.

Gaspar ainda carrega uma acusação de estupro de vulnerável e de suposta tentativa de silenciamento, levada à PF por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Ele nega as acusações, afirma que o caso envolve um primo e diz ser alvo de ataque político; o caso aguarda parecer da PGR. A vice, assim, transforma a biografia do deputado em trunfo e vulnerabilidade ao mesmo tempo.

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