Greve da CPTM expõe choque entre emprego prometido e garantia exigida

No segundo dia de paralisação, ferroviários cobram proteção formal contra os efeitos da concessão, enquanto o governo diz que já assegurou realocações. No meio do embate, passageiros enfrentam trens parciais, ônibus lotados e trânsito recorde.
Greve da CPTM expõe choque entre emprego prometido e garantia exigida

Greve da CPTM expõe choque entre emprego prometido e garantia exigida
A greve ferroviária entrou no segundo dia transformando uma disputa sobre concessão e emprego em um teste diário para a mobilidade de São Paulo. De um lado, o governo afirma ter uma saída; de outro, os trabalhadores dizem que ela ainda não está escrita com a abrangência necessária.

Com as linhas 11-Coral e 12-Safira operando parcialmente e a 13-Jade afetada, a cidade registrou 768 quilômetros de congestionamento às 8h30 — maior marca das quatro semanas anteriores — e teve o rodízio suspenso. O impacto foi muito além dos trilhos: consultas na rede municipal precisaram ser reagendadas e o plano de contingência virou rotina.

O governo Tarcísio de Freitas sustenta que não há demissões decorrentes da concessão e aposta num projeto de lei para absorver empregados das linhas concedidas em órgãos estaduais. O governador resumiu sua posição: “Quem foi demitido? Ninguém.” Para o Palácio dos Bandeirantes, a greve é injustificável e mistura uma reivindicação trabalhista à resistência política contra a privatização.

O sindicato enxerga exatamente o inverso. Sua cobrança não é apenas por promessas de realocação, mas por uma garantia escrita que cubra todos os trabalhadores da CPTM — inclusive os que não estão diretamente nas três linhas. “Precisamos de garantia dos empregos dos trabalhadores da CPTM”, afirmou Luiz Barbosa Neto Júnior, presidente da entidade, ao reafirmar a oposição à privatização.

A Justiça do Trabalho tentou abrir uma ponte: propôs uma cláusula de paz, sugeriu que o projeto inclua também os 2.171 funcionários da Linha 10-Turquesa e condicionou o fim das multas à aprovação do acordo em assembleia. Se rejeitada a solução, a multa diária pelo descumprimento do efetivo mínimo pode chegar a R$ 5 milhões.

Enquanto governo e sindicato disputam o alcance das garantias, o passageiro arca com a urgência. No Paese, houve relatos de espera, superlotação e motoristas sem conhecer a rota; em São Miguel Paulista, um usuário disse ter aguardado quase uma hora e meia para embarcar.

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