Falha conhecida no degelo expõe cadeia de erros na queda da Voepass

Laudo da Polícia Federal aponta que falhas intermitentes no degelo, operação em área de gelo e procedimentos não executados a tempo se combinaram na queda que matou 62 pessoas em Vinhedo. Enquanto a PF busca responsabilização criminal, o Cenipa mantém foco preventivo.
Falha conhecida no degelo expõe cadeia de erros na queda da Voepass

Falha conhecida no degelo expõe cadeia de erros na queda da Voepass
A queda do ATR 72 da Voepass em Vinhedo, que matou 62 pessoas em agosto de 2024, não é retratada pela Polícia Federal como um colapso súbito. O laudo descreve uma sequência conhecida de alertas, decisões e barreiras de segurança que falharam antes do impacto.

A perícia criminal da PF sustenta que o sistema pneumático de degelo apresentava falhas intermitentes em voos anteriores — e que a tripulação tinha sinais claros do problema. No trecho imediatamente anterior ao acidente, o comandante, após notar gelo na aeronave, resumiu o alívio do pouso: “Chegamos vivos”.

No voo 2283, de Cascavel para Guarulhos, o alerta AIRFRAME FAULT apareceu ainda na subida. A leitura da PF é dura: o fabricante determinava a saída imediata de áreas com formação de gelo, mas os dados indicam que isso não ocorreu. Em vez disso, a tripulação repetiu tentativas de desligar e religar o sistema, procedimento já usado em ocorrências anteriores. Quando o copiloto tentou acioná-lo de novo, perto de São Paulo, o comandante reagiu: “Essa bosta não tá funcionando, né?”

O contraste central está entre uma falha técnica que se repetia e uma operação que, segundo os peritos, continuou como se pudesse ser contornada. O documento afirma que a ausência de registros formais pelas tripulações anteriores permitiu que “discrepâncias repetitivas e críticas permanecessem ocultas”. Para a PF, isso ajudou a manter a aeronave apta a voar mesmo diante de previsão de gelo.

A investigação também aponta falhas na resposta final: houve cerca de 20 segundos entre o alerta de aumento de velocidade e o início do parafuso, janela em que ainda seria possível intervir. A conclusão policial reúne degelo defeituoso, voo em condição severa de gelo e execução inadequada dos procedimentos. Já o Cenipa apura causas para prevenção, sem atribuir culpa; a PF investiga possível responsabilização criminal, enquanto familiares aguardam indiciamentos e planejam ações civis.

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