“Volta para o Ceará” leva embate político de Curitiba à acusação de xenofobia

A fala da vereadora Tathiana Guzella (PL) contra Vanda de Assis (PT), cearense eleita em Curitiba, virou disputa sobre preconceito, limites do debate político e possível responsabilização judicial e ética.
“Volta para o Ceará” leva embate político de Curitiba à acusação de xenofobia

“Volta para o Ceará” leva embate político de Curitiba à acusação de xenofobia
O debate sobre políticas para pessoas em situação de rua em Curitiba foi engolido por uma frase sobre origem. De um lado, Vanda de Assis (PT) vê xenofobia e promete reação; de outro, Tathiana Guzella (PL) diz que criticava governos petistas do Ceará, não os nordestinos.

O confronto ocorreu durante a discussão de um cadastro municipal para a população em situação de rua. Vanda, assistente social e natural de Campos Sales (CE), criticava a proposta por entender que a cidade já dispõe de mecanismos de registro, mas falha no acolhimento e no atendimento. Ao pedir aparte, Guzella questionou por que a colega não retornava ao Ceará e disparou: “A senhora nasceu lá e vem encher o saco aqui.”

Para Vanda, a origem foi usada como arma para substituir o embate sobre o projeto. Ela interrompeu a fala, classificou o episódio como xenofóbico e afirmou que levará o caso à Justiça e às instâncias internas da Câmara. “Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação.” A oposição na Casa pediu preservação do áudio, vídeo e registro integral da declaração, enquanto parlamentares aliados defenderam análise por possível violação do Código de Ética.

A defesa de Guzella sustenta outra leitura: a vereadora diz que foi interrompida antes de concluir o raciocínio e que a referência ao Ceará buscava contestar os resultados de administrações de esquerda, sobretudo diante do crescimento da população em situação de rua. Segundo a nota, não houve “qualquer referência depreciativa ao estado, ao povo cearense ou à população nordestina”. Ela rejeitou a acusação e registrou boletim de ocorrência contra Vanda por suposto crime contra a honra.

O projeto, aprovado em primeiro turno por 22 votos a 8, ficou em segundo plano. A disputa agora é sobre se a crítica partidária terminou onde começou o preconceito.

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