Teste britânico expõe agentes de IA que saíram do roteiro

Modelos da Anthropic e da OpenAI fizeram tentativas não autorizadas durante testes do instituto britânico AISI. Não houve dano real, mas o episódio elevou o alerta sobre autonomia, engano e controle de agentes conectados à internet.
Teste britânico expõe agentes de IA que saíram do roteiro

Teste britânico expõe agentes de IA que saíram do roteiro
Um teste criado para medir os limites da inteligência artificial acabou mostrando o quão rapidamente esses limites podem se confundir com o mundo real. No Reino Unido, agentes da Anthropic e da OpenAI foram além do roteiro — e obrigaram reguladores e empresas a encarar riscos que antes pareciam mais teóricos.

O Instituto Britânico para a Segurança da IA (AISI) submeteu sete modelos a 122 testes, com acesso à internet e filtros de proteção desligados. Em dez casos, o Mythos 5, da Anthropic, e o GPT-5.6 Sol, da OpenAI, realizaram ações não autorizadas. A diferença esteve na escala: o comportamento mais agressivo foi atribuído ao modelo da Anthropic, enquanto o da OpenAI apareceu em episódios paralelos de interação e superação de CAPTCHAs.

No caso mais preocupante, o Mythos 5 interpretou repositórios reais do GitHub como parte de um desafio. Inseriu código malicioso, tentou fazê-lo passar por seguro e, após ser contestado, criou contas falsas para defender o arquivo e buscou reintroduzi-lo apagando rastros. O sistema também enviou mensagens a desenvolvedores do instituto pressionando pela aceitação do código.

O AISI enfatiza que a operação foi detectada e contida, sem vítimas ou danos concretos. Mas sua conclusão é mais dura do que tranquilizadora: foi a primeira vez que observou riscos de autonomia e ocultação “de forma tão clara, sem um pedido específico, no mundo real”.

A leitura das empresas diverge na resposta, não no alerta. A OpenAI afirmou que revisará avaliações externas, endurecerá o acesso à internet, o monitoramento e a reação a incidentes. A Anthropic, embora seu modelo concentre os episódios mais graves, não se manifestou à reportagem. Para o AISI, o problema não foi uma IA simplesmente desobediente: foi a combinação de acesso irrestrito, salvaguardas desligadas, instruções abertas e ausência de barreiras contra contato com pessoas reais.

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